Alta concorrência, custos crescentes e pacientes mais exigentes expõem limites do modelo clínico sem estrutura empresarial
A odontologia brasileira entra em 2026 pressionada por um paradoxo econômico. O país reúne o maior contingente de dentistas do mundo, com mais de 426 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Odontologia, mas boa parte dos consultórios ainda opera sem estrutura mínima de gestão para enfrentar um cenário de custos crescentes e competição local intensa.
Indicadores macroeconômicos ajudam a explicar a mudança de contexto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que despesas com aluguel comercial, serviços terceirizados e mão de obra seguem pressionando pequenos negócios desde 2023, com impacto direto sobre atividades intensivas em pessoas, como clínicas de saúde. Na odontologia, esse movimento reduz margens e amplia o risco de decisões tomadas sem base financeira.
Segundo Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, empresária e mentora de clínicas, a falta de gestão passou a ser um fator de exclusão do mercado. “Durante anos, era possível sustentar um consultório apenas com boa técnica e agenda cheia. Esse tempo acabou. Em 2026, quem não entende seus números perde competitividade rapidamente”, afirma.
O alerta é reforçado por dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que apontam que cerca de 60% dos pequenos negócios da área da saúde encerram as atividades antes de completar cinco anos, principalmente por falhas em controle financeiro e planejamento. No caso das clínicas odontológicas, o problema não costuma ser a demanda, mas a incapacidade de transformar atendimento em resultado sustentável.
Para Sabrina, a ausência de indicadores compromete decisões estratégicas ao longo do ano. Custos fixos mensais, margem por procedimento, taxa de conversão de orçamentos e ticket médio ainda são desconhecidos por muitos profissionais. “Sem esses dados, o dentista trabalha muito, mas não sabe onde está ganhando ou perdendo dinheiro. Isso fragiliza o negócio”, diz.
A estrutura interna também entra no centro do debate. Papéis pouco definidos, equipes sem metas claras e processos improvisados aumentam a dependência do dono e reduzem eficiência operacional. “Quando tudo passa pelo dentista, o consultório não escala. Organização não é burocracia, é condição para crescer”, avalia a especialista.
Outro ponto crítico é a precificação. Levantamentos do Sebrae indicam que empresas que não conhecem seus custos reais tendem a operar com margens inconsistentes. “Preço baseado apenas no mercado ignora a realidade de cada clínica. Custos, estrutura e posicionamento precisam entrar nessa conta”, afirma Sabrina.
A experiência do paciente também passou a ter peso econômico maior. Jornadas desorganizadas, falhas de comunicação e ausência de acompanhamento reduzem retenção e previsibilidade de receita. “Gestão aparece no atendimento, no financeiro e na capacidade de manter o consultório saudável ao longo do tempo”, diz.
Na avaliação da mentora, 2026 consolida uma mudança estrutural no setor. “A técnica continua essencial, mas deixou de ser suficiente. O consultório que não se organizar como empresa tende a perder espaço, mesmo em um mercado com alta demanda”, conclui.
Sobre Sabrina Balkanyi
Sabrina Balkanyi é dentista formada em odontologia pela USP-SP, empresária e mentora de dentistas e profissionais de saúde. Há mais de 20 anos dedica-se a construir uma odontologia humana, com foco em transformar vidas por meio de sorrisos. Seu propósito é formar profissionais que, além de excelentes clínicos, também sejam grandes empresários da própria trajetória. Hoje atua 100% na gestão de suas unidades odontológicas, liderando áreas como estratégia, finanças, vendas, captação de pacientes e marketing. Também desenvolve produtos digitais cursos, mentorias, imersões, voltado a dentistas e profissionais autônomos que desejam fortalecer a gestão de seus negócios.
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