outubro 23, 2026

5 dicas para reduzir custos com tecnologia sem comprometer a produtividade

Planejamento do ciclo de vida, manutenção e renovação do parque de TI ajudam empresas a controlar despesas sem deixar a tecnologia ficar defasada

A expansão da infraestrutura de inteligência artificial tem pressionado a cadeia global de semicondutores e elevado os custos de componentes utilizados em computadores, servidores e dispositivos corporativos. Segundo projeções da TrendForce divulgadas em setembro de 2026, os preços contratuais de memórias DRAM podem subir de 10% a 15% no quarto trimestre, enquanto os de NAND Flash, utilizada em soluções de armazenamento como SSDs, podem registrar alta de 15% a 20%. Esse cenário amplia o desafio das empresas brasileiras de manter seus parques de TI atualizados em meio à pressão sobre os orçamentos de capital (CAPEX), às taxas de juros e à busca das diretorias financeiras por maior previsibilidade de despesas e eficiência operacional.

Manter computadores, notebooks, smartphones corporativos, servidores e outros equipamentos de TI atualizados é importante para garantir produtividade e segurança, mas renovar todo o parque tecnológico sem planejamento pode pesar no orçamento. Além do investimento inicial, as empresas precisam considerar custos de manutenção, suporte, atualização, segurança, substituição e descarte dos equipamentos.

Uma alternativa é olhar para cada ativo ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a escolha do equipamento até o momento em que ele deixa de atender às necessidades da empresa. Para Gabriela Monastero, VP de vendas da CHG-MERIDIAN, essa visão ajuda a tornar as decisões de tecnologia mais eficientes. “Quando a empresa considera apenas o preço de aquisição, pode deixar de enxergar outros custos que surgem ao longo da utilização. Avaliar o ciclo completo ajuda a entender quanto aquele equipamento realmente custa e qual é o momento mais adequado para substituí-lo”, afirma.

Confira cinco medidas que podem contribuir para uma gestão mais eficiente do parque de TI.

1. Avalie o custo total do equipamento

O preço de compra é apenas uma parte do custo de um equipamento de TI. Manutenção, assistência técnica, atualizações, licenças, segurança e eventual substituição também precisam entrar na conta. Antes de comprar novos equipamentos, vale considerar quanto custará mantê-los durante todo o período de utilização. A análise pode ajudar a empresa a comparar diferentes alternativas e identificar modelos que ofereçam maior previsibilidade financeira.

2. Planeje a renovação do parque de TI

Esperar que computadores e notebooks apresentem problemas frequentes ou deixem de acompanhar as necessidades dos funcionários pode afetar a produtividade e aumentar os gastos com manutenção. Um calendário de renovação permite acompanhar a idade, o desempenho e as condições dos equipamentos e planejar a substituição antes que eles se tornem um problema para a operação. O planejamento também ajuda a evitar trocas generalizadas sem necessidade, permitindo que a empresa priorize os ativos que realmente precisam ser substituídos.

3. Acompanhe o uso dos equipamentos

Nem todos os equipamentos de uma empresa têm o mesmo nível de utilização. Um notebook usado diariamente por uma equipe de campo, por exemplo, pode ter necessidades diferentes de um equipamento utilizado ocasionalmente em um escritório. Ter informações sobre quais ativos estão em uso, por quem, há quanto tempo e em quais condições ajuda a empresa a identificar equipamentos subutilizados, necessidades de substituição e oportunidades de redistribuição.

Ferramentas digitais de gestão de ativos permitem automatizar esse acompanhamento e oferecer visibilidade do parque de TI em tempo real. Com informações centralizadas sobre localização, utilização e situação dos equipamentos, a empresa consegue identificar necessidades de manutenção, planejar substituições e redistribuir ativos subutilizados. Esse controle contribui para reduzir desperdícios e direcionar os recursos para as necessidades reais da operação.

4. Avalie alternativas à compra dos equipamentos

A aquisição de um grande volume de computadores e outros equipamentos pode exigir um desembolso significativo de uma só vez. Dependendo do perfil da empresa, modelos baseados no uso, como o leasing operacional e a tecnologia como serviço (Device as a Service, ou DaaS), podem ser alternativas à compra. Nessas modalidades, a empresa utiliza os equipamentos durante um período definido em contrato e pode incluir serviços como suporte, manutenção, substituição, logística reversa e gestão dos ativos, conforme as condições contratadas.

A vantagem desses modelos não está apenas na distribuição dos pagamentos ao longo do contrato. No leasing operacional, a empresa pode utilizar os equipamentos sem assumir sua propriedade e, conforme as condições contratuais, devolvê-los ao final do período de uso, sem precisar administrar diretamente sua revenda. Isso pode reduzir a exposição aos riscos de desvalorização dos ativos e facilitar o planejamento da renovação tecnológica.

Já o modelo de tecnologia como serviço (DaaS) empacota o fornecimento dos dispositivos a essa gama de serviços em uma única fatura mensal previsível. Ao planejar todas as fases operacionais desde a contratação, a empresa preserva capital, aumenta a previsibilidade das despesas operacionais (OPEX) e mantém os equipamentos alinhados às necessidades da operação, sem concentrar todo o investimento no momento da aquisição.

5. Planeje o destino dos equipamentos que deixam de ser usados

A gestão de um equipamento de TI não termina quando ele é substituído. Antes da revenda, reutilização ou descarte, é fundamental garantir a segurança das informações armazenadas nos dispositivos. Computadores, notebooks e outros ativos podem conter dados pessoais e informações corporativas confidenciais, o que exige cuidados para evitar acessos indevidos e atender às obrigações aplicáveis da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

A exclusão certificada dos dados antes da saída dos equipamentos do ambiente corporativo ajuda a reduzir o risco de exposição de informações pessoais e empresariais. O processo deve ser realizado de forma segura e documentada, com evidências da eliminação dos dados armazenados. Essa medida contribui para a proteção das informações e viabiliza práticas de economia circular: os ativos com vida útil remanescente são recondicionados para retornar ao mercado, enquanto os equipamentos obsoletos recebem destinação ambientalmente certificada.

Reduzir custos com tecnologia não significa necessariamente comprar equipamentos mais baratos ou adiar sua substituição. Uma gestão eficiente considera o custo do ativo durante todo o período em que ele permanece na empresa.

Ao acompanhar a utilização dos equipamentos, planejar a renovação, avaliar diferentes modelos de acesso à tecnologia e definir o destino dos ativos ao fim do uso, as empresas podem buscar um equilíbrio entre controle de custos, produtividade e atualização do parque de TI.

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