outubro 21, 2026

88% das empresas adotam IA, mas apenas 37% veem retorno no EBIT: como superar esse impasse?

Adoção de novas tecnologias exige preparo e mudança cultural nas empresas

Empresas enfrentam o desafio de ir além da adoção de ferramentas e conseguir integrar tecnologia, planejamento e inteligência de mercado para gerar valor sustentável

A incorporação de novas tecnologias aos negócios deixou de ser apenas uma iniciativa de modernização para se tornar uma questão estratégica. Com a inteligência artificial (IA) ampliando as possibilidades de automação, análise de dados e personalização, empresas de diferentes setores têm diante de si a oportunidade de rever processos, aprimorar a tomada de decisões e desenvolver novos modelos de negócio. O desafio, entretanto, não está apenas em adotar essas ferramentas, mas em saber como utilizá-las para produzir resultados efetivos.

A dimensão dessa transformação aparece nos dados do AI Index 2026, elaborado pelo Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano (HAI), da Universidade Stanford. Segundo o levantamento, 88% das organizações pesquisadas já utilizavam inteligência artificial em 2025, enquanto a adoção de IA generativa em pelo menos uma função empresarial alcançou 70%. Os números evidenciam a velocidade com que a tecnologia vem sendo integrada às operações corporativas.

A disseminação, porém, não significa que os investimentos estejam automaticamente se convertendo em resultados financeiros. A pesquisa global The State of AI 2026, da McKinsey, aponta que apenas 37% dos entrevistados relataram impacto positivo da inteligência artificial sobre o resultado operacional (EBIT) de suas organizações. O contraste entre a ampla adoção e a dificuldade de mensurar retornos concretos revela um dos principais desafios das lideranças: transformar o potencial tecnológico em valor efetivo para o negócio.

Para a diretora de Marketing e sócia da EATech, Thammires Dutra, empresa especializada em criar conexões estratégicas que antecipam tendências e aceleram decisões no universo da tecnologia, o aproveitamento dessas ferramentas exige uma abordagem que combine conhecimento técnico, visão de negócios e compreensão das necessidades de cada organização.

“Não basta incorporar uma tecnologia porque ela está em evidência. É preciso compreender quais problemas ela pode resolver, quais oportunidades abre para o negócio e, principalmente, como integrá-la à realidade da empresa. A tecnologia precisa estar a serviço de objetivos claros, e não se tornar um fim em si mesma”, afirma Thammires Dutra.

Entre as principais contribuições da inteligência artificial para as empresas estão a automação de tarefas repetitivas, a análise de grandes volumes de dados e o apoio às lideranças. Aplicadas de maneira estruturada, essas capacidades podem reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais, ampliar a produtividade das equipes e permitir que profissionais concentrem seus esforços em tarefas mais valiosas.

No entanto, os benefícios não se limitam à eficiência. A integração entre IA e sistemas corporativos também pode aprimorar a identificação de tendências, antecipar mudanças na demanda e oferecer subsídios mais consistentes para investimentos, desenvolvimento de produtos e relacionamento com clientes.

Para alcançar esses resultados, é fundamental identificar os processos nos quais a tecnologia pode gerar valor mensurável. Projetos-piloto, indicadores de desempenho e avaliações periódicas permitem que as organizações testem soluções, compreendam suas limitações e ampliem gradualmente as iniciativas que apresentam resultados concretos.

“Um dos principais desafios das empresas é distinguir o potencial real de uma tecnologia das expectativas que se criam em torno dela. A IA pode contribuir significativamente para a produtividade e a inteligência dos negócios, mas sua aplicação precisa considerar a qualidade dos dados, a maturidade digital da organização e a capacidade das equipes de incorporar novas ferramentas à rotina”, pondera Dutra.

Fator humano e governança como condições para a inovação

Embora a evolução tecnológica amplie as possibilidades de automação e análise, a transformação digital continua dependendo das pessoas. A capacitação das equipes, a revisão de processos e a construção de uma cultura organizacional aberta à inovação são elementos fundamentais para que os investimentos em tecnologia se traduzam em mudanças efetivas.

Outro ponto central é a governança. A utilização de sistemas de inteligência artificial exige atenção à segurança da informação, à privacidade, à transparência dos processos e à confiabilidade dos resultados. Além disso, o uso de dados incompletos ou enviesados pode comprometer análises, tornando indispensável a supervisão humana em aplicações de maior impacto.

“É importante reconhecer que a transformação digital não acontece de maneira automática. Existem desafios relacionados à infraestrutura, à segurança, à disponibilidade de profissionais qualificados e, sobretudo, à mudança de cultura. A tecnologia pode acelerar processos, mas são as pessoas que precisam compreender seu propósito, estabelecer prioridades e garantir que os processos continuem alinhados aos objetivos da organização”, destaca a executiva.

Em um ambiente no qual novas soluções surgem continuamente, acompanhar as tendências deixou de ser suficiente. As empresas precisam desenvolver a capacidade de avaliar cenários, identificar oportunidades e estabelecer conexões entre tecnologia, mercado e estratégia corporativa. É nesse contexto que a atuação da EATech se insere, ao articular conexões, inteligência aplicada e experiências no ecossistema de tecnologia, aproximando lideranças, especialistas e organizações.

Para Thammires, a capacidade de transformar informação em decisão é um dos aspectos centrais dessa nova dinâmica. “O acesso às tecnologias está cada vez mais amplo, mas isso não significa que todas as empresas estejam preparadas para extrair o mesmo valor delas. O diferencial está na capacidade de fazer as perguntas certas, conectar conhecimentos e tomar decisões fundamentadas. É justamente nessa articulação entre tecnologia, pessoas e estratégias que surgem oportunidades consistentes de crescimento”, conclui.

Sobre a EATech

A EATech cria conexões estratégicas, inteligência aplicada e experiências que aproximam pessoas, empresas e ideias no universo da tecnologia. Com atuação voltada à antecipação de tendências e à geração de oportunidades, a empresa conecta diferentes atores do ecossistema da tecnologia da informação para transformar conhecimento e relacionamento em decisões mais rápidas, relevantes e alinhadas aos desafios do mercado. Mais informações: eatech.net.br

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