Alta reforça busca por planejamento financeiro, enquanto cenário econômico freia decisões de maior valor
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Em um cenário de juros elevados e atividade econômica pressionada, o Sistema de Consórcios segue avançando no Brasil, ainda que já apresente sinais de desaceleração. Segundo o relatório de fevereiro da Associação Brasileira de Administradoras do Consórcio,a modalidade movimentou R$79,88 bilhões em créditos comercializados, uma alta de 15,5% na comparação anual, enquanto o número de participantes ativos atingiu 12,85 milhões, crescimento de 12,6% e novo recorde histórico.
O desempenho reforça o papel do consórcio como alternativa ao crédito tradicional em um ambiente de financiamento mais caro. Ainda assim, o setor começa a refletir os efeitos do atual ciclo econômico. Com juros elevados, há redução do consumo, adiamento de investimentos e maior cautela por parte dos consumidores, dinâmica que já impacta parte dos indicadores do segmento.
Para Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios, o momento evidencia uma mudança no comportamento financeiro do brasileiro.“O consumidor está cada vez mais atento ao custo total do crédito. Em um cenário de juros elevados, o consórcio ganha espaço por permitir planejamento financeiro sem incidência de juros, o que se torna decisivo para quem pensa no médio e longo prazo.”
Mesmo com o avanço estrutural, os números de curto prazo indicam um ritmo mais moderado. As contemplações caíram 10,3% no bimestre, enquanto os créditos liberados recuaram 1,6%, sinalizando que parte dos consumidores têm postergado decisões de maior valor diante da incerteza econômica.
“Em momentos de desaceleração, é natural que o consumidor adie compromissos maiores. O consórcio continua crescendo, mas passa a refletir um ambiente mais cauteloso”, explica o especialista.
Ainda assim, o impacto do sistema na economia real segue relevante. Apenas nos dois primeiros meses do ano, mais de R$21,5 bilhões foram potencialmente injetados no mercado por meio das contemplações, sustentando setores como automotivo e imobiliário.
O avanço também reflete mudanças no perfil de consumo. Segmentos como imóveis registraram crescimento acima de 30% nas vendas, enquanto categorias como eletroeletrônicos apresentaram forte expansão, indicando que o consórcio vem ampliando sua atuação para além dos bens tradicionais. “O consórcio deixou de ser apenas uma alternativa para aquisição de veículos e passou a ocupar um espaço mais amplo dentro do planejamento financeiro dos brasileiros, inclusive como estratégia de organização patrimonial”, afirma Lamounier.
Apesar da trajetória positiva, o cenário de juros elevados impõe limites ao crescimento. Historicamente, períodos de desaceleração econômica impactam o desempenho do setor, ainda que de forma menos intensa do que em outras modalidades de crédito.
“Existe um limite claro: quando a economia desacelera de forma mais intensa, todos os setores sentem. Ainda assim, o consórcio tende a ser mais resiliente, justamente por estar ligado ao planejamento e não ao consumo imediato”, conclui.