agosto 9, 2026

Cinco mudanças radicais pelas quais o mercado de trabalho está passando — e muita gente ainda não percebeu

Márcio Monson, CEO da Selecty

Especialista em empregabilidade aponta as transformações que já estão mudando carreiras, empresas e a forma como trabalhamos.

Quem acompanha o mercado de trabalho há alguns anos percebe que algo diferente está acontecendo. Não se trata apenas da inteligência artificial ou do crescimento do trabalho remoto — o que está mudando é a velocidade com que tudo acontece. Profissões surgem e desaparecem mais rápido, empresas revisam estratégias que pareciam definitivas há poucos anos e competências valorizadas ontem já não garantem a mesma relevância hoje.

Para Márcio Monson, CEO da Selecty, empresa especializada em tecnologia para recrutamento e seleção, estamos vivendo uma mudança estrutural no mundo do trabalho. “Há alguns anos era possível prever com relativa segurança quais profissões estariam em alta nos próximos dez anos. Hoje isso ficou muito mais difícil. O mercado está se transformando em uma velocidade que não víamos antes.”

Na visão do executivo, existem cinco movimentos que ajudam a explicar esse cenário:

1. A inteligência artificial saiu do laboratório e entrou no trabalho. Hoje ela está presente em atividades simples e também em funções mais complexas — produz textos, resume reuniões, cria códigos, analisa dados. “O impacto da IA não está apenas em substituir tarefas. Ela amplia a capacidade produtiva das pessoas.”

2. O trabalho intelectual começou a sentir a pressão da automação. Analistas, profissionais de marketing, advogados, recrutadores, desenvolvedores e vendedores passaram a conviver com sistemas capazes de executar parte do trabalho antes exclusivamente humano. “Estamos entrando em uma fase em que conhecimento técnico sozinho já não basta. O diferencial passa a ser interpretação, criatividade, capacidade de relacionamento e visão estratégica.”

3. A capacidade de adaptação virou uma competência profissional. “O profissional mais seguro não é necessariamente o que sabe mais. Muitas vezes é aquele que aprende mais rápido.” Reskilling e atualização contínua deixaram de ser temas discutidos apenas em eventos corporativos.

4. A discussão sobre presencial e remoto ainda está longe de acabar. Cinco anos depois da pandemia, o mercado caminha para modelos híbridos mais maduros. “A flexibilidade passou a ter um valor enorme. Depois que alguém experimenta ganhar duas horas por dia sem deslocamento, é difícil abrir mão disso.”

5. A saúde mental deixou de ser um tema secundário. A pressão por produtividade, a necessidade constante de atualização e a velocidade das mudanças produzem impactos cada vez mais visíveis na saúde mental dos trabalhadores. Ambientes saudáveis e lideranças preparadas se tornam fatores determinantes para atrair e reter talentos.

Para Monson, estamos diante de uma “tempestade perfeita”: inteligência artificial avançando rapidamente, mudanças nos modelos de trabalho, transformações econômicas globais, novas exigências de qualificação e um debate crescente sobre saúde mental acontecendo ao mesmo tempo. “Não existe mais porto seguro. Nem setores que pareciam blindados, como tecnologia, estão imunes às mudanças. Mas quem aprender a evoluir continuamente terá mais oportunidades do que em qualquer outro momento da história”, conclui.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors