Em vigor desde 22 de julho, a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma ampla lista de produtos brasileiros já leva fabricantes da indústria náutica nacional a revisar contratos, margens e projetos de expansão no país. A medida afeta diretamente as embarcações de esporte e recreio, conforme a classificação aduaneira de cada modelo, mas, mesmo diante do novo cenário, o setor mantém negócios e entregas programadas ao mercado norte-americano até o fim deste ano, com unidades já vendidas, em produção ou em preparação para envio.
A Triton Yachts, estaleiro nacional com mais de 40 anos de atuação, destina atualmente cerca de 50% de sua produção ao mercado norte-americano e atua nos EUA por meio de sua linha internacional Hanover. Entre as embarcações já comercializadas e com entregas previstas estão modelos de 30 até 44 pés.
“O cenário é desfavorável para o mercado e nos levou a frear alguns planos de expansão da marca nos Estados Unidos. Vamos seguir monitorando os desdobramentos da medida e avaliar seus impactos sobre contratos, margens e novos investimentos. Ainda assim, mantemos as entregas já programadas para este ano e seguimos comprometidos com os clientes, importadores e distribuidores no país”, afirma Allan Cechelero, diretor da Triton Yachts.
Tarifa muda custos das operações
Na prática, a tarifa é cobrada do importador norte-americano quando a embarcação entra nos Estados Unidos. Embora o pagamento seja feito por ele, o impacto financeiro não fica necessariamente concentrado em uma única parte: durante a negociação, importadores, distribuidores e fabricantes podem dividir esse custo por meio de reajustes no preço final, descontos comerciais, revisão dos contratos ou redução das margens de lucro.
“Em uma simulação simplificada, tomando como referência a Triton Flyer 38, um dos modelos mais exportados pela marca e que custa em torno de R$ 2 milhões, uma tarifa adicional de 25% representaria cerca de R$ 500 mil. Esse impacto é ainda mais relevante no setor náutico porque a produção de uma embarcação pode levar vários meses, especialmente nos modelos personalizados. Assim, barcos negociados antes da mudança podem chegar ao momento da entrega submetidos a uma condição tributária diferente daquela prevista inicialmente”, explica Cechelero.
“Não existe uma única solução para todos os contratos. Cada barco possui configuração, valor, etapa de produção e condição comercial diferentes. Estamos trabalhando caso a caso, com transparência e proximidade dos nossos parceiros, para preservar os negócios e manter a confiança construída no mercado internacional”, acrescenta o diretor.
Sobre a Triton Yachts: consagrada linha de barcos projetada e construída pelo estaleiro paranaense Way Brasil, com 40 anos de mercado. A marca é referência no segmento de lanchas de passeio e conta com modelos que variam de 23 a 52 pés. Nos Estados Unidos, os modelos são comercializados sob a marca Hanover.