Um estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) mostra que os efeitos das demissões coletivas podem permanecer por anos na trajetória profissional. Segundo a pesquisa, dois anos após uma demissão em massa, a probabilidade de o trabalhador estar novamente em um emprego formal é 24% menor em comparação com profissionais semelhantes que não passaram pelo mesmo episódio. Cinco anos depois, a diferença ainda chega a 15%.
O impacto entre profissionais com mais de 15 anos de vínculo com a mesma empresa é ainda maior: a diferença na probabilidade de retorno ao emprego formal ultrapassa 25% cinco anos após o desligamento. Mesmo entre os que conseguem se recolocar, os salários podem permanecer de 3% a 8% menores. Os resultados mostram que uma demissão coletiva produz efeitos duradouros sobre empregabilidade e renda, reforçando a necessidade de que empresas tratem processos de desligamento também como uma questão de gestão de pessoas.
Recentes movimentos de reestruturação no mercado brasileiro colocam em evidência os efeitos humanos e organizacionais das demissões em massa. Além de afetar diretamente quem fica desempregado, esses episódios também repercutem entre os funcionários que permanecem — especialmente os que têm longas trajetórias na empresa e carregam uma percepção sobre a identidade e a reputação da companhia.
Segundo especialistas em employer branding, processos de desligamento mal conduzidos tendem a produzir efeitos sobre a cultura interna e a reputação da marca empregadora que se estendem muito além do momento da demissão, afetando desde o engajamento de quem fica até a capacidade da empresa de atrair novos talentos no futuro. A forma como a comunicação e a liderança conduzem esses processos — com transparência, suporte à recolocação e cuidado com a narrativa interna — tende a ser determinante para preservar a confiança dos profissionais durante períodos de reestruturação.
Fonte: Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS).