agosto 21, 2026

IA deixa de ser ferramenta e passa a integrar decisões das empresas, aponta futurista no IT Forum Praia do Forte 2026

Neil Redding, futurista, no IT Forum Praia do Forte 2026

Começou nesta quarta-feira (19), na Bahia, o IT Forum Praia do Forte 2026, um dos principais encontros de tecnologia e negócios do País. Até domingo (23), o evento reunirá 160 CIOs das maiores empresas investidoras em tecnologia do Brasil para uma imersão dedicada à troca de experiências, geração de negócios e discussão sobre os caminhos da inovação. Nesta edição, a programação parte do tema central “A força do ecossistema: quem não conecta, não cresce”.

A abertura contou com a participação de Adelson de Sousa, presidente e fundador do ecossistema Itaqui, e André Cavalli, CEO do IT Forum. “O mercado brasileiro de tecnologia, comunicação e telecom investe cerca de US$ 100 bilhões. Metade desse valor passa pela comunidade do IT Forum”, afirmou Cavalli. Para Adelson, a construção de novos caminhos para o mercado depende da aproximação entre diferentes áreas e atores: “Temos de unir a tecnologia à educação e à ciência. Esse é o tripé transformador que conecta os negócios, as pessoas e o planeta”.

Foi diante desse contexto que a plenária recebeu o futurista norte-americano Neil Redding, principal destaque internacional desta edição, para a palestra “Da adoção à orquestração: liderança à medida que a IA se torna participante”. O especialista discutiu a mudança no papel dos líderes frente ao avanço da Inteligência Artificial e da entrada de agentes de IA nos processos de decisão e execução das empresas.

A provocação inicial da apresentação foi: como conduzir um negócio de sucesso quando a IA passa a ter um papel mais ativo? Se, em um primeiro momento, a Inteligência Artificial era incorporada às organizações como uma ferramenta para apoiar tarefas específicas, a evolução dos sistemas aponta para um cenário em que a tecnologia passa a participar dos fluxos de trabalho. Para os líderes, isso significa repensar não apenas a adoção tecnológica, mas também estruturas, responsabilidades e formas de colaboração — o que Redding chama de orquestração.

“Um dos grandes erros atuais são as lideranças ainda gerirem como se só houvesse humanos na sala”, ressalta Redding. O futurista defende que a evolução da IA caminha de uma relação baseada em comandos para modelos de maior autonomia e, posteriormente, de colaboração entre humanos e sistemas inteligentes.

Dados da Deloitte reforçam o tamanho desse desafio: 84% das empresas ouvidas em um levantamento conduzido pela consultoria ainda não redesenharam as funções em torno das capacidades da IA. “Nós estamos presenciando o surgimento de uma nova dinâmica que parte dos ‘fazedores’ para os ‘decisores'”, completou Redding.

Ao longo dos próximos dias, os 160 CIOs participantes ainda discutirão temas como educação e estratégia corporativa, futuro do trabalho, aplicação da IA aos negócios, infraestrutura necessária para sustentar essa transformação e os desafios para levar projetos de Inteligência Artificial da experimentação à escala.

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