agosto 22, 2026

Por que 2027 vai exigir mais precisão na gestão das empresas

Ravell Nava, fundador da Brl Educação

A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde no Brasil às vésperas de uma etapa decisiva da reforma tributária. Em junho, mais de 9,1 milhões de empresas estavam negativadas, com R$ 232,9 bilhões em dívidas, segundo dados da Serasa Experian — desse total, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas. Ao mesmo tempo, a taxa Selic permanece em 14,25% ao ano. A combinação de crédito caro, endividamento elevado e mudanças tributárias aumenta a pressão sobre companhias que precisam financiar a operação, recompor o caixa e preparar o planejamento para 2027.

Para Ravell Nava, empresário, estrategista de crescimento e fundador da Brl Educação, o próximo ano tende a exigir uma mudança na forma como donos de negócios acompanham o desempenho das próprias empresas. Olhar apenas para o faturamento, segundo ele, pode criar uma percepção equivocada de crescimento quando indicadores como margem, geração de caixa, produtividade e rentabilidade apontam em outra direção.

“Faturar mais não significa necessariamente ganhar mais dinheiro. É possível crescer receita enquanto a margem cai, o custo de venda aumenta e o caixa fica mais apertado. O empresário precisa entender de onde vem o resultado antes de decidir onde vai colocar mais dinheiro, contratar ou acelerar a operação”, afirma Ravell.

A preocupação ganha peso porque 2027 marca uma nova fase da reforma tributária do consumo: segundo o cronograma da Receita Federal, PIS e Cofins serão extintos, começa a cobrança da CBS e as alíquotas do IPI serão reduzidas a zero para a maior parte dos produtos, enquanto entra em vigor o Imposto Seletivo. A transição amplia a necessidade de as empresas revisarem a formação de preços, margens e impacto tributário sobre diferentes produtos e serviços.

O ambiente externo também aumenta a necessidade de precisão: a 29ª CEO Survey da PwC mostra que 38% dos presidentes de empresas brasileiras consideram a instabilidade macroeconômica uma das principais ameaças aos negócios, enquanto 23% acreditam que as tarifas comerciais poderão reduzir a margem líquida das companhias.

“Se a empresa quer sair de R$ 10 milhões para R$ 15 milhões, precisa saber o que acontece com a margem para chegar lá. Quantas pessoas terão de ser contratadas, quanto será gasto para conquistar clientes, quanto capital de giro será necessário e quanto desse crescimento efetivamente se transforma em caixa. Sem essas respostas, a meta vira apenas um número no planejamento”, diz Ravell.

Essa discussão aparece de forma recorrente entre empresários acompanhados pela Brl Educação, que já impactou mais de 20 mil empresários em programas e formações executivas no país. Para Nava, a preparação para 2027 passa menos pela tentativa de prever todas as variáveis econômicas e mais pela capacidade de conhecer com precisão o funcionamento da própria companhia. “O empresário não controla juros, tributação ou o que acontece na economia. Mas pode saber exatamente quanto custa a operação, onde está a margem, o que gera caixa e quais áreas estão consumindo resultado. Em 2027, essa diferença pode separar quem cresce com estrutura de quem aumenta o faturamento e descobre depois que o negócio ficou mais frágil”, conclui.

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