Renegociar as dívidas é apenas o primeiro passo; especialistas orientam como reorganizar o orçamento para evitar novos atrasos e voltar ao endividamento
O prazo para aderir ao Novo Desenrola Brasil termina em 31 de agosto. A reta final ocorre quando o país registra 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, o equivalente a 51% da população adulta e o maior número da série histórica da Serasa. Para quem conseguir renegociar uma dívida, o próximo desafio começa no mês seguinte: fazer a nova parcela caber no orçamento sem voltar a atrasar contas.
Para explicar o que precisa mudar depois do acordo, dois especialistas em educação financeira analisam os principais cuidados: José Leonardo de Campos, especialista e cofundador da Plano Fintech, e Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da companhia. Fundada em 2018, a Plano atua com educação e organização financeira e já apoiou mais de 200 mil brasileiros na redução de dívidas e no reequilíbrio do orçamento.
“A renegociação muda a dívida, mas não muda automaticamente a forma como o dinheiro é administrado. Se a família mantém a mesma estrutura de gastos que existia antes do acordo, a nova parcela pode se transformar rapidamente em outro problema”, afirma José Leonardo.
O Novo Desenrola Brasil permite a renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos. O programa é destinado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos.
O que precisa mudar depois do Novo Desenrola
1. A parcela precisa virar uma despesa fixa
O valor renegociado deve entrar no orçamento junto às contas essenciais, e não depender do que eventualmente sobrar no fim do mês. “Depois do acordo, a pergunta é objetiva: de onde sairá o dinheiro da parcela todos os meses? Se o consumidor não consegue identificar essa fonte no orçamento, o desequilíbrio ainda não foi resolvido”, ressalta Hiraki.
2. Corte gastos antes que a parcela aperte
Se a prestação exige uma redução mensal de despesas, o consumidor precisa definir de onde virá essa economia. Assinaturas pouco utilizadas, compras parceladas e gastos recorrentes estão entre os itens que podem ser revistos.
3. Controle o crédito e volte a formar reserva
A regularização do nome pode restabelecer o acesso ao crédito, mas não deveria ser interpretada como sinal para retomar imediatamente novos parcelamentos. “Limpar o nome é uma etapa importante, mas recuperação financeira significa conseguir pagar a dívida renegociada sem criar outra”, afirma o CEO da Plano.
Para os especialistas, também é necessário identificar o comportamento que contribuiu para a inadimplência, como o uso frequente do cartão para complementar a renda, o excesso de parcelas ou a falta de acompanhamento dos gastos. “O acordo resolve uma dívida que ficou para trás. A organização financeira é o que reduz a chance de repetir o problema nos meses seguintes”, conclui José Leonardo.
Fonte: Plano Fintech