agosto 27, 2026

Geração Z e futuro do trabalho: Datafolha aponta que 68% dos jovens rejeitam a CLT tradicional por falta de flexibilidade

Bell Gama, sócia-fundadora da Air Branding

Com maior valorização do equilíbrio entre vida pessoal e carreira, jovens profissionais passaram a questionar modelos tradicionais de trabalho e pressionam empresas a rever benefícios oferecidos.

O trabalho de carteira assinada não é o modelo profissional dos sonhos para boa parte dos jovens brasileiros. Pesquisa do Datafolha mostrou que 68% dos jovens entre 16 e 24 anos preferem trabalhar de forma autônoma a seguir o modelo tradicional de emprego com carteira assinada, mesmo que isso lhe renda uma remuneração menor. O dado evidencia uma mudança de pensamento na relação da Geração Z com o mercado de trabalho, marcada por uma maior busca por autonomia e controle da própria rotina.

“Essa geração valoriza propósito e ambiente de trabalho, mas também entende o reconhecimento financeiro e o espaço para evolução pessoal como parte do pacote de benefícios”, afirma Bell Gama, co-fundadora e CEO da Air Branding, agência pioneira em Employer Branding no Brasil. Com base em 29 empresas respondentes, a Air Branding produziu, em parceria com a consultoria SmartCommns, uma pesquisa que analisou, em 2025, as expectativas, percepções e dores reais dos profissionais ao longo do tempo no mundo corporativo.

Segundo o levantamento, a valorização da remuneração condizente atingiu nota 4,88 e o pacote de benefícios 4,84, em uma escala de 1 a 5. Na análise da CEO, o talento percebeu que a “solidez” de uma marca não garante o emprego de ninguém na hora da crise — o que elevou a exigência financeira e a demanda por autonomia (rotina, decisões, trabalho remoto).

“É preciso entender que o vínculo trabalhista com uma empresa é um contrato de troca em que a remuneração é apenas uma parte desse acordo. Outras recompensas como flexibilidade e tempo para a vida pessoal também são prioridades, especialmente para a nova geração”, diz Bell Gama.

Modelos como contratos por projeto, trabalho autônomo e relações menos tradicionais têm parecido mais atraentes para os jovens diante da insatisfação com as formas atuais de trabalho. Nas redes sociais, o termo “CLT” passou a aparecer de forma pejorativa entre parte da Geração Z, associado a rotinas desgastantes, baixa remuneração e pouca flexibilidade.

Para Bell Gama, para o jovem voltar a ter interesse na CLT, a empresa deve revisitar sua Proposta de Valor ao Empregado (EVP) alinhando benefícios à identidade da marca e às preferências dos jovens, como remuneração (69%) e cultura (39,1%). Em uma amostragem de 55 EVPs coletados ao longo de 6 anos na consultoria, empresas que estruturam sua proposta de valor registram aumento de até 80% no volume de candidaturas.

“A tendência é que, nos próximos anos, a retenção de talentos esteja cada vez mais ligada à capacidade das empresas de oferecer o pacote completo: remuneração, autonomia, qualidade de vida e espaço para desenvolvimento individual”, finaliza Bell Gama.

Sobre a Air Branding

Fundada em 2015, a Air Branding é pioneira no Brasil em Employer Branding, com portfólio que inclui marcas como Nubank, Petrobras, Arcos Dorados (McDonald’s), Grupo Boticário, Bayer e Unilever, entre 180 clientes atendidos desde sua fundação.

Fonte: Agência ERA® (mariana@agenciaera.com.br)

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