setembro 9, 2026

Reforma Tributária muda a operação dos supermercados e exige preparação além do fiscal

Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial

Revisão de preços, cadastros, fornecedores, sistemas e créditos pode ajudar varejistas a atravessar a transição com mais previsibilidade e proteção de margem

A perda média dos supermercados brasileiros ficou em 1,82% do faturamento em 2025, segundo a Pesquisa de Eficiência Operacional 2026 da Associação Brasileira de Supermercados, a ABRAS. Em um setor que trabalha com milhares de produtos, alto giro e margens controladas, a Reforma Tributária do Consumo acrescenta uma nova camada à gestão. A mudança não ficará restrita ao departamento fiscal: preço, compras, estoque, tecnologia, fornecedores, crédito tributário e planejamento financeiro também entram nessa conta.

Para Vanderlei Goulart, contador e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, empresa especializada em soluções contábeis e fiscais para o varejo supermercadista, a preparação precisa acompanhar a realidade de cada operação. “O supermercadista já administra um negócio complexo todos os dias. A reforma não precisa ser tratada como uma mudança que acontece de uma vez. É possível organizar por etapas, começar pelo que mais pesa no resultado e avançar com informação”, afirma.

Em 2026, primeiro ano de testes do IBS e da CBS, as empresas já começaram a adaptar documentos fiscais e sistemas. A transição seguirá gradualmente até 2033, o que significa que os supermercados terão de conviver durante alguns anos com mudanças em regras, tributos e processos.

Preço e margem entram na revisão

Um dos primeiros pontos está na formação de preços. Como os produtos poderão ter tratamentos tributários distintos, aplicar um mesmo percentual de ajuste sobre toda a loja tende a ser insuficiente. A análise deverá considerar custo da mercadoria, tributação, possibilidade de crédito e margem efetiva por categoria.

“Não basta olhar quanto o produto custa na compra e quanto é vendido. O supermercado precisa saber quanto aquela venda realmente deixa de resultado depois de considerados todos os componentes da operação”, explica Goulart.

Essa revisão passa diretamente pelos cadastros fiscais. NCM, classificação tributária, descrição das mercadorias e regras aplicáveis precisam estar corretas e atualizadas. A legislação prevê alíquota zero de IBS e CBS para itens da Cesta Básica Nacional de Alimentos e redução de 60% para determinados alimentos destinados ao consumo humano.

Créditos e fornecedores mudam a lógica das compras

Com a não cumulatividade de IBS e CBS, as aquisições passam a ter reflexo direto sobre os créditos que poderão ser utilizados pela empresa. “É um movimento que aproxima ainda mais compras e fiscal. Não significa transformar cada negociação em uma discussão tributária, mas entender que duas propostas comerciais semelhantes podem produzir resultados diferentes quando todo o efeito da operação é considerado”, afirma Goulart.

A relação com os fornecedores também merece revisão. Bonificações, descontos, verbas comerciais, condições de pagamento e contratos precisam ser avaliados à luz das novas regras.

Sistemas e áreas precisam trabalhar juntos

A adequação não termina na atualização do sistema emissor de notas fiscais. ERP, frente de caixa, estoque, compras, fiscal e financeiro precisam trabalhar com informações compatíveis. “O fornecedor de software tem um papel importante, mas a empresa também precisa testar a própria operação. A reforma pode inclusive ajudar a identificar cadastros desatualizados, processos manuais ou informações que hoje não estão integradas”, afirma o consultor.

“A principal vantagem de começar agora é poder corrigir aos poucos. Quanto mais cedo gestão, fiscal, compras, financeiro e tecnologia trabalharem com as mesmas informações, maior será a capacidade do supermercado de atravessar a transição sem perder de vista aquilo que sustenta o negócio: preço competitivo, margem e eficiência operacional”, conclui Goulart.

Sobre Vanderlei Goulart

Vanderlei Goulart é fundador, CEO e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, contador, perito contábil e consultor empresarial, com pós-graduação em Auditoria e Perícia e mais de 30 anos de atuação no mercado. Também é instrutor da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), onde ministra treinamentos sobre gestão de crise, finanças e capacitações voltadas aos níveis tático e estratégico do varejo.

Sobre a Meta Contabilidade

A Meta Assessoria Empresarial é uma empresa especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão, com atuação direcionada ao desenvolvimento de negócios, com presença relevante no varejo supermercadista.

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