Por que instituições profissionais precisam abrir espaço para novos projetos, novas lideranças e novas formas de representar uma categoria
Toda instituição que representa uma categoria profissional precisa fazer, de tempos em tempos, uma pergunta simples: o que pode ser melhor?
A pergunta não significa negar o que foi feito. Também não representa uma condenação de quem esteve à frente da instituição. Significa reconhecer que nenhuma gestão deve se confundir com a própria instituição. Pessoas passam. Projetos mudam. A sociedade se transforma.
É justamente por isso que eleições são importantes.
No CRA-GO, a eleição deste ano coloca novamente os profissionais de Administração diante de uma escolha. De um lado, a continuidade de um grupo que há anos participa da condução do Conselho. De outro, a possibilidade de uma nova composição, com novas ideias e outra visão sobre o futuro da profissão.
Mas a pergunta que interessa ao profissional não precisa ser sobre pessoas.
Pode ser sobre ciclos.
Toda gestão precisa de um novo olhar
Em qualquer organização, pública ou privada, a permanência prolongada de um mesmo grupo pode trazer experiência, conhecimento e continuidade. Esses são valores importantes.
Também pode criar o risco de acomodação.
Não porque aqueles que estão no comando necessariamente deixem de trabalhar. O problema é outro: depois de muitos anos, determinadas práticas passam a parecer naturais. Algumas perguntas deixam de ser feitas. Novas alternativas podem encontrar mais dificuldade para entrar em cena.
É por isso que a alternância merece ser vista como instrumento de gestão.
Renovar não significa destruir.
Não significa dizer que tudo o que foi feito está errado. Significa permitir que outras pessoas apresentem suas propostas, questionem modelos existentes e mostrem que também podem contribuir para o desenvolvimento da profissão.
Uma entidade representativa não pertence a uma gestão. Pertence à categoria que representa.
A Administração também precisa administrar a própria mudança
Existe uma ironia nesse debate.
Administradores são ensinados diariamente a avaliar processos, medir resultados, identificar oportunidades, corrigir rotas e preparar organizações para o futuro.
Por que seria diferente quando se trata da instituição que representa esses profissionais?
Uma boa gestão precisa saber começar. Precisa saber executar. Mas também precisa saber preparar a sucessão.
A renovação não deveria ser encarada como ameaça. Deveria ser entendida como parte natural da boa governança.
Uma instituição forte não depende de uma pessoa ou de um grupo específico para continuar funcionando.
Ela tem processos. Tem planejamento. Tem transparência. Tem participação. Tem capacidade de formar novas lideranças.
Quanto mais preparada estiver uma entidade para a alternância, mais madura será sua democracia interna.
O voto não precisa ser contra ninguém
Essa talvez seja a reflexão mais importante desta eleição.
Escolher uma nova chapa não significa votar contra uma pessoa.
Pode significar votar a favor de uma ideia.
Pode significar entender que a categoria precisa de novas prioridades. Que profissionais mais jovens precisam participar. Que administradores de diferentes áreas precisam ter espaço. Que o Conselho pode ampliar sua presença junto às universidades, às empresas, ao setor público e aos profissionais que estão no mercado.
É possível reconhecer o trabalho de uma gestão e, ainda assim, considerar que chegou a hora de experimentar outro caminho.
Uma coisa não elimina a outra.
O que está em jogo
A eleição do CRA-GO não deveria ser tratada apenas como uma disputa entre chapas.
Ela oferece uma oportunidade para discutir que Conselho a categoria deseja para os próximos anos.
Um Conselho mais próximo dos profissionais?
Mais presente nas universidades?
Mais atuante na defesa das prerrogativas da profissão?
Mais aberto à participação dos registrados?
Mais conectado às transformações do mercado de trabalho?
Mais disposto a discutir inteligência artificial, novas formas de trabalho, empreendedorismo, gestão pública, liderança e os desafios que já fazem parte da vida dos administradores?
Essas são perguntas que ultrapassam nomes e grupos.
São perguntas sobre projeto.
A experiência é importante. A renovação também
Quem administra por muitos anos acumula conhecimento. Isso tem valor.
Mas experiência não precisa ser sinônimo de permanência.
Uma nova gestão pode aproveitar aquilo que funcionou, corrigir o que precisa ser corrigido e acrescentar novas propostas.
Esse talvez seja o caminho mais saudável.
Não se trata de apagar o passado. Trata-se de usar o passado como aprendizado para construir o próximo passo.
É nesse ponto que a renovação deixa de ser apenas uma palavra de campanha.
Ela passa a ser uma escolha de gestão.
É hora de permitir a alternância
A Revista do Administrador entende que instituições representativas precisam estar abertas à alternância e à participação de novas lideranças.
Por isso, nesta eleição, a revista declara seu apoio à Chapa 3.
O apoio não nasce de uma rejeição pessoal a quem esteve ou está à frente do CRA-GO. Nasce da convicção de que a Administração goiana pode se beneficiar de novos projetos, novas ideias e novas formas de participação.
A Chapa 3 representa, para esta revista, essa possibilidade de renovação.
O eleitor, naturalmente, fará sua própria escolha.
E é assim que deve ser.
O mais importante é que o profissional de Administração participe. Conheça as propostas. Compare as ideias. Avalie os nomes. Pergunte o que cada grupo pretende fazer e como pretende fazer.
Depois, vote.
Porque democracia institucional não se fortalece quando todos pensam igual.
Fortalece-se quando existe espaço para escolher.
E, às vezes, administrar bem também significa saber quando é hora de renovar.
Conheça as propostas da Chapa 3: https://chapa3crago.com.br/