setembro 14, 2026

O voto que quase ninguém lembra que é obrigatório

Comissão em sessão de trabalho — ilustração

Em 14 de outubro, 3.175 profissionais de Administração decidem os rumos do CRA-GO. A maioria não sabe disso — e boa parte nem sabe que está na lista.

Por Marco Túlio Elias Alves — Profissional de Administração (CRA/GO 5-00011)

Comece por um exercício simples. Pergunte a cinco colegas, hoje, em que data é a eleição do Conselho. Depois pergunte quantas chapas concorrem. Depois pergunte o nome de um único candidato.

Eu fiz esse teste. Você já sabe o resultado.

Pois bem: a eleição é em 14 de outubro de 2026, das 0h às 22h, inteiramente pela internet, no endereço votaadministrador.org.br. Estão aptos a votar 3.175 profissionais em Goiás, segundo a relação do colégio eleitoral publicada pelo próprio CRA-GO. Os eleitos tomam posse entre 1º e 15 de janeiro de 2027 e decidem, pelos anos seguintes, como será aplicado o dinheiro das nossas anuidades, o que o Conselho fiscaliza, quem ele representa e o que ele defende em nome de todos nós.

E há alguns detalhes que quase ninguém sabe.

Quem vota não é só quem tem o diploma de bacharel

Começo por este ponto porque ele me diz respeito diretamente e porque, na minha experiência, é a maior fonte de voto perdido em Goiás.

O art. 4º do Regulamento Eleitoral — Resolução Normativa CFA nº 680/2025 — estabelece que a eleição é direta, “nela votando todos os profissionais de administração inscritos no CRA da respectiva jurisdição, com registro principal ativo e adimplente”. O art. 41 repete a fórmula ao definir o colégio eleitoral.

Leia de novo a expressão que a norma usa. Não é “administradores”. É profissionais de Administração — o termo que o próprio Sistema CFA/CRAs adotou justamente para abarcar a profissão inteira, e que dá nome ao nosso Código de Ética e Disciplina, o dos Profissionais de Administração. A condição que a norma impõe é registro principal ativo e adimplência. Categoria de registro não entra na conta.

E há uma confirmação silenciosa nisso: a relação do colégio eleitoral publicada pelo CRA-GO traz 3.175 nomes sem indicar categoria ao lado de nenhum deles. A lista não separa bacharel de tecnólogo, nem tecnólogo de técnico. Porque, para efeito de voto, não há o que separar.

Eu sou profissional de Administração, sou registrado sob o nº 5-00011 e conferi: meu nome está lá. Se você é tecnólogo ou técnico e sempre presumiu que essa eleição “não era sua”, procure o seu também. Se estiver na lista, você vota — e o seu voto pesa exatamente o mesmo que o de qualquer outro.

Essa presunção de que a eleição pertence a uma parte da categoria custa caro. Cada colega que se autoexclui por engano é um voto que deixa de existir num pleito decidido por centenas de votos. E é sintomático, convenhamos, que uma parcela relevante da profissão passe anos pagando anuidade sem jamais ter sido informada de que elege quem administra o Conselho.

Serviço: confira em trinta segundos se você vota

1. Abra a relação oficial do colégio eleitoral, publicada pelo CRA-GO em
crago.org.br/portal/index.php?id=18.
Atenção: essa relação é definitiva. O calendário eleitoral fixou a
elaboração da lista em 16 de julho, o prazo de ajuste e republicação de 17 a 29
de julho e a divulgação da relação nominal final em 30 de julho de 2026.
Ou o seu nome está lá, ou você não vota nesta eleição. Esta Revista não
reproduz a lista: o art. 41, §§ 2º e 3º atribui essa publicação exclusivamente
ao Conselho.

2. Procure o seu nome com Ctrl+F (ou Cmd+F, no Mac). A relação está em
ordem alfabética pelo primeiro nome. Procure também se você é tecnólogo ou
técnico
— a lista não separa categorias.

3. Achou? Falta um passo: confirme que o seu e-mail e telefone estão
atualizados no cadastro. É por eles que chegam as instruções de acesso ao
sistema de votação. Cadastro desatualizado é voto perdido no dia 14.

4. Não achou? Seja franco consigo mesmo: para 2026 não há mais o que fazer,
porque a janela de revisão da lista se encerrou em 29 de julho. Mas regularize
a sua situação agora — anuidade, registro suspenso, registro secundário.
É isso, e só isso, que garante o seu lugar no colégio eleitoral da próxima
eleição. Quem deixar para depois vai reler este parágrafo em 2028.

O voto é obrigatório. E a omissão tem preço.

O art. 43 do mesmo regulamento não deixa margem: “o voto é pessoal, indelegável, secreto e obrigatório“. Quem não votar precisa justificar a ausência no mesmo sistema, entre 15 de outubro e 3 de novembro.

Não há multa. Mas há uma consequência que costuma surpreender quem descobre tarde: o art. 18, VI, estabelece que é condição de elegibilidade “ter votado ou justificado ausência na eleição imediatamente anterior”. Em linguagem direta — quem não votar em 14 de outubro de 2026, e não justificar dentro do prazo, não poderá ser candidato em 2028. Perde-se, por esquecimento, o direito de disputar.

Há ainda o requisito silencioso que mais elimina gente: adimplência. Registro secundário não vota. Registro suspenso não vota. Anuidade em atraso não vota. E aqui vai o aviso que muita gente vai receber tarde demais: esse corte já foi feito. A lista nominal foi elaborada em 16 de julho, o prazo de ajuste correu até 29 de julho e a relação final foi divulgada em 30 de julho. Quem não estava regular naquele momento não entra mais nesta eleição, por mais que pague hoje. O que ainda vale a pena é regularizar pensando em 2028.

Uma precisão útil, aliás: o dever de justificar a ausência alcança, nos termos do art. 43, §2º, o eleitor “que o nome estiver contemplado no colégio eleitoral”. Quem ficou de fora da relação não tem o que justificar — tem o que regularizar.

Por que o seu voto vale muito mais do que você imagina

Eleições de conselho profissional são decididas por números pequenos. Não é opinião — é aritmética pública.

Em 2024, no Conselho Regional de Administração de Rondônia, a chapa vencedora fez 240 votos. Toda a eleição, somados brancos e nulos, movimentou cerca de 425 votos. Em Santa Catarina, no mesmo ano, foram 1.211 votos no total.

Aplique isso a Goiás. São 3.175 aptos. Se a participação ficar no patamar habitual desse tipo de pleito, algumas centenas de votos definem quem administra um conselho profissional inteiro. Cada abstenção pesa. Cada grupo de dez colegas que se lembra de votar pesa mais ainda.

É exatamente por isso que a baixa participação nunca é neutra. Em qualquer eleição, de qualquer natureza, o eleitorado pequeno e previsível favorece quem já está organizado — e quem já está lá sempre está organizado. O desinteresse não é apolítico: ele tem um beneficiário certo.

O Conselho precisa ajudar a categoria a escolher

Aqui vai uma cobrança institucional, e ela vale para qualquer gestão, hoje e no futuro.

Uma eleição só é uma escolha se houver informação para escolher. O Conselho Regional de Administração do Espírito Santo publicou, em seu sítio, a relação das chapas inscritas, os currículos de cada candidato e as propostas de cada uma, para que o eleitorado compare antes de votar. É simples, é barato e é o mínimo.

Em Goiás, um profissional que procure hoje no sítio do Conselho quais são as chapas, quem as compõe e o que cada uma propõe terá trabalho considerável para descobrir — quando descobrir. Publica-se a lista dos aptos a votar, o que é obrigatório; não se encontra, com a mesma facilidade, aquilo de que o eleitor precisa para decidir.

Isso não é detalhe operacional. Divulgar candidatos e propostas não é campanha de ninguém: é dever de publicidade, e a publicidade está no art. 37 da Constituição, ao lado da impessoalidade. Um conselho que publica quem pode votar, mas não facilita saber em quem votar, cumpre a metade formal da obrigação e perde a metade que interessa.

Fica o pedido, dirigido à Comissão Permanente Eleitoral e à Presidência do CRA-GO: publiquem, em página única e de acesso direto, a relação das chapas homologadas, a composição de cada uma, os currículos e as cartas-programa. Há tempo. Faltam semanas, e a medida não custa nada.

Três coisas para fazer ainda esta semana

1. Confira se você vota. Siga os quatro passos da caixa de serviço acima — inclusive, e principalmente, se você é tecnólogo ou técnico e nunca votou. Não deixe para o dia 14: se o seu nome não estiver na relação final, é melhor descobrir agora, enquanto ainda dá para se organizar para 2028.

2. Estude as chapas. Peça as propostas. Cobre quem se candidata. Pergunte o que cada uma pretende fazer com a anuidade que você paga, como pretende ampliar o mercado de trabalho da nossa profissão — em todas as suas categorias — e que regras de governança se compromete a adotar. Candidato que não responde por escrito já respondeu.

3. Lembre cinco colegas. Mande a data, o endereço do sistema e o aviso sobre a obrigatoriedade. Em uma eleição de poucas centenas de votos, cinco lembretes são uma força real.

Uma palavra franca sobre o meu lugar nesta conversa

Não sou candidato. Sou profissional de Administração registrado, voto como qualquer outro e apoio publicamente a Chapa 3 — digo isso aqui, no corpo do texto, porque quem escreve sobre uma eleição deve dizer de onde fala.

Mas o que está acima disso não é matéria de chapa. Se você discorda de mim e pretende votar em outra chapa, continue lendo com a mesma atenção: vote assim mesmo, e vote na chapa que quiser. Uma categoria que comparece é uma categoria que é ouvida, governe quem governar. Uma categoria que não comparece entrega seu conselho a quem já está dentro dele — e depois passa quatro anos reclamando do resultado que ajudou a produzir pela ausência.

Dia 14 de outubro. Das 0h às 22h. Pela internet. Leva menos tempo do que a leitura deste artigo.


O autor é profissional de Administração, registrado no CRA-GO sob o nº 5-00011, e advogado. Apoia a Chapa 3 nas eleições de 2026.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors