setembro 16, 2026

Cibercrime no Brasil: país é o 3º mais atacado do mundo, e o Pix virou alvo de golpes turbinados por IA

Novo relatório da Trellix, empresa B2B de cibersegurança, colocou o Brasil na 3ª posição mundial em incidentes cibernéticos relatados publicamente, respondendo por 3,45% de todos os casos registrados entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 — atrás apenas dos Estados Unidos (6,8%) e da Índia (5,27%). O dado mais urgente é como isso está acontecendo: criminosos estão usando IA generativa para criar phishing mais convincente e automatizar fraudes via Pix em escala.

De acordo com a análise da Trellix sobre o cenário de ameaças no Brasil, o Pix tem atraído cada vez mais a atenção dos cibercriminosos, que combinam engenharia social, phishing e roubo de credenciais para cometer fraudes financeiras. A inteligência artificial também está ampliando a escala e a sofisticação dessas operações, ajudando criminosos a criar mensagens mais convincentes e automatizar diferentes etapas de suas campanhas.

O roubo de credenciais continua sendo um dos principais vetores de comprometimento observados no país, incluindo coleta de informações armazenadas localmente, keylogging, exfiltração de dados por canais de comando e controle e ofuscação de comandos. Uma das principais conclusões do relatório global é o uso contínuo de ferramentas legítimas de administração já disponíveis nos sistemas operacionais: o PowerShell apareceu em 49,6% das detecções relacionadas a ameaças persistentes avançadas, enquanto o Prompt de Comando do Windows esteve presente em 48,9%.

“Os cibercriminosos estão direcionando cada vez mais seus ataques ao ecossistema de identidade digital do Brasil, combinando IA, phishing e roubo de credenciais para automatizar fraudes em larga escala. As organizações precisam ir além da detecção tradicional e concentrar seus esforços em uma segurança baseada em comportamento e identidade”, afirma Rodrigo Buosi, country manager da Trellix no Brasil.

## Setor público lidera as detecções no país

Entre os setores mais afetados no Brasil no primeiro trimestre de 2026, o governo respondeu por 39% das detecções registradas pela Trellix, seguido pelo setor de telecomunicações, com 33%, e pelas instituições financeiras, com 16%. Educação e serviços empresariais aparecem em seguida, ambos com 6%.

O relatório também destaca como os agentes de ameaça estão incorporando a inteligência artificial às suas operações para automatizar e modificar continuamente códigos maliciosos, tornando as campanhas mais resistentes aos métodos tradicionais de detecção. Outra mudança importante identificada é o uso indevido crescente de serviços digitais legítimos — nuvem, plataformas de colaboração e até blockchain — para disfarçar comunicações com dispositivos comprometidos, tornando o tráfego malicioso mais difícil de diferenciar de atividades corporativas legítimas.

## Eleições de 2026 e desinformação por IA

Com a eleição de 2026 no radar, o relatório também alerta para o uso de IA generativa na criação de vídeos, áudios e imagens falsas realistas — e 70% dos brasileiros já acreditam que isso pode influenciar o resultado do pleito.

“Esta será a primeira eleição presidencial brasileira em que ferramentas de IA generativa estarão amplamente acessíveis e suficientemente avançadas para criar imagens, vídeos e vozes sintéticas altamente realistas. Isso representa um novo cenário para o país e aumenta os riscos de campanhas de desinformação, golpes de engenharia social e tentativas de manipulação”, explica Buosi.

Para as organizações brasileiras, estratégias como inteligência operacional de ameaças, Zero Trust, proteção de identidades e monitoramento contínuo de vulnerabilidades devem ganhar peso crescente. À medida que as empresas adotam agentes de IA, cada agente deve ter identidade única, acesso controlado e mecanismo de desativação, para evitar que um agente comprometido afete o restante do ambiente.

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