setembro 22, 2026

Como unir equipes de TI e segurança para uma resposta eficaz a incidentes

Gustavo Leite, VP da Cohesity para América Latina

Por Gustavo Leite, VP da Cohesity para América Latina

Imagine uma grande instituição financeira sendo vítima de um ataque de ransomware. Bancos de dados críticos são invadidos e criptografados, e o ataque se espalha rapidamente pela rede. Enquanto a equipe de TI corre para restaurar os sistemas e manter os serviços operacionais, a equipe de segurança precisa conter a propagação e rastrear a origem da invasão.

Sem tempo para uma investigação adequada, a recuperação é feita às pressas. Os sistemas voltam a funcionar, mas a empresa continua exposta por não resolver os problemas subjacentes. Vulnerabilidades permanecem abertas, os controles continuam fracos e ameaças persistentes passam despercebidas, deixando a organização suscetível a novos ataques.

Infelizmente, esse cenário é muito comum. Muitas organizações estabelecem papéis distintos para TI e segurança, mas negligenciam a necessidade de colaboração entre essas equipes em momentos de crise. O resultado são silos operacionais que deixam os negócios desprotegidos.

Pesquisas indicam que 31% dos profissionais de TI e segurança consideram a colaboração entre suas áreas “fraca”, enquanto 42% afirmam que a má coordenação aumenta a exposição a riscos. Além disso, 40% relatam que, mesmo diante do crescimento das ameaças cibernéticas, o trabalho em equipe entre esses setores continua estagnado ou em declínio.

Existe uma distinção necessária entre as funções. A equipe de segurança deve focar na proteção de redes contra acessos não autorizados, além da investigação e resposta a incidentes. Já a TI é responsável por manter as operações diárias funcionando. No entanto, ambos os setores são cruciais para a resiliência corporativa, tornando indispensável um maior alinhamento entre eles.

Bases para uma resposta eficaz

Ao estruturar uma estratégia de resposta a incidentes, o ponto de partida é a clara definição de responsabilidades. Para a TI, o foco está na remediação técnica e na continuidade dos negócios: gerenciar interrupções, restaurar a infraestrutura crítica, redefinir senhas e credenciais, remover contas maliciosas e aplicar atualizações de software. A segurança, por sua vez, deve priorizar a detecção da invasão, a contenção dos danos e a identificação do vetor do ataque.

É fundamental definir previamente políticas de governança e escalonamento. Como a comunicação costuma falhar durante uma crise, é preciso estabelecer protocolos e canais redundantes. As equipes devem saber de antemão como se comunicar, com qual frequência e como serão tomadas as decisões estratégicas.

Nesse contexto, a documentação é indispensável. Um documento compartilhado e vivo, detalhando responsabilidades, contatos de emergência e estratégias de recuperação, garante decisões rápidas e metodológicas mesmo sob forte pressão.

Modelo de responsabilidade compartilhada

O ideal é que as equipes atuem sob um modelo de responsabilidade compartilhada, uma estrutura com procedimentos claros para responder a ataques cibernéticos.

Dentro desse modelo, vale destacar o uso de uma Clean Room (sala limpa): um ambiente isolado e seguro no qual TI e segurança investigam o incidente e aplicam correções sem risco de reinfecção. Esse espaço controlado permite analisar o ataque, reconstruir a linha do tempo e criar um plano de recuperação definitivo.

Com os sistemas higienizados e os dados recuperados, a reintrodução deve ocorrer primeiro em um ambiente de testes (staging). Embora essa etapa possa desacelerar o processo, o custo de uma recuperação precipitada é o risco de novas interrupções no futuro.

Construindo entendimento mútuo

Silos entre TI e segurança costumam surgir do conflito natural de objetivos: a TI busca inovação e velocidade, enquanto a segurança foca no controle e na mitigação de riscos. Sob a pressão de uma crise, esses atritos podem se intensificar ou levar ao isolamento das equipes.

Para superar esse entrave, a liderança deve promover workshops conjuntos e simulações de cenários reais. Essas dinâmicas aproximam os times, demonstram a intersecção de suas responsabilidades e ajudam a integrar a segurança à própria arquitetura de TI.

Recuperação definitiva

Uma estratégia de resposta robusta visa construir resiliência a longo prazo. Embora métricas tradicionais, como Tempo Médio de Detecção (MTTD), Resposta (MTTR) e Remediação, sejam úteis, a melhor forma de medir a prontidão é exercitando o plano em simulações práticas.

Testar cenários reais de ransomware permite identificar falhas em processos, gargalos em ferramentas e problemas de comunicação. Desafios comuns incluem sistemas desconectados, falta de automação e burocracia excessiva.

O objetivo central deve ser unificar propósitos, simplificar caminhos de escalonamento com papéis claros, automatizar rotinas operacionais e manter canais de comunicação sempre disponíveis. Ao eliminar barreiras culturais e integrar TI e segurança, a resiliência se fortalece. E diante de uma nova crise, vale seguir o conselho clássico de Douglas Adams: “Não entre em pânico”.

Sobre a Cohesity

A Cohesity protege, assegura e fornece insights sobre os dados do mundo. Como líder em segurança de dados impulsionada por IA, ajuda as organizações a fortalecer a resiliência, acelerar a recuperação e reduzir os custos de TI. Com segurança Zero Trust e IA/ML avançados, o Cohesity Data Cloud conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

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