O planejamento de 2027 começa pelas decisões que ainda cabem em 2026. Antes de dezembro, empresários precisam revisar o que depende exclusivamente de sua atuação, quais receitas sustentam a operação e o que deve mudar para que as metas do próximo ano tenham condições de sair do papel.
Para Fernanda Tochetto, psicóloga, empresária e fundadora do Tittanium Club, voltado à educação empresarial e à execução estratégica, essa revisão exige olhar para a rotina do negócio. Uma empresa pode projetar crescimento sem ter equipe, processos ou capacidade de entrega para atender à demanda prevista.
“Quando o empresário define uma meta maior, precisa perguntar o que terá de funcionar de outra maneira para alcançá-la. Se todas as decisões continuarem na mesa dele, o plano já nasce limitado pela sua disponibilidade”, afirma.
A preparação envolve cinco frentes que podem ser encaminhadas em novembro, com responsáveis, prazos e critérios de acompanhamento.
1. Escolher quais atividades o dono deixará de executar
O primeiro passo é registrar, durante uma semana, as tarefas que ocupam a agenda do fundador. Aprovar despesas rotineiras, acompanhar cada atendimento e conferir pessoalmente todas as entregas são atividades que merecem revisão quando existem profissionais aptos a assumi-las.
A transferência deve começar por uma rotina delimitada, com orientação, autonomia e resultado esperado. O empresário precisa definir em quais situações será consultado e quando a equipe poderá decidir sozinha.
“Delegar exige preparar alguém para decidir e aceitar que a execução não será idêntica à sua. Se o dono entrega a tarefa, mas exige autorização a cada etapa, a dependência continua”, explica Fernanda.
2. Revisar de onde vem o dinheiro
A análise das receitas precisa ir além do volume vendido. Produtos, serviços e contratos devem ser comparados pelo resultado que deixam após os custos envolvidos, pelo tempo de trabalho exigido e pela frequência de compra.
Uma oferta com faturamento expressivo pode consumir horas demais da equipe ou exigir condições comerciais que comprometem o resultado. Também merece atenção a concentração das vendas em poucos clientes.
Criar uma receita adicional deve partir de uma demanda identificada. Antes de lançar outra oferta, a empresa pode testar uma solução com um grupo menor de clientes, avaliar sua disposição de pagar e verificar a capacidade de entrega.
3. Fazer processos funcionarem sem o fundador
Vendas, atendimento, cobrança e entrega precisam ter etapas claras, responsáveis e critérios para resolver problemas. O teste é verificar o que fica parado quando o dono se ausenta: propostas, pagamentos, respostas a clientes ou decisões da equipe.
Em novembro, a empresa pode escolher um processo crítico, registrar suas etapas e acompanhar sua execução sem a intervenção constante do fundador. As falhas observadas ajudam a identificar onde faltam informação, treinamento ou autoridade para decidir.
“Não basta ter um procedimento escrito. A equipe precisa saber quem responde pelo resultado, o que pode resolver e quando deve pedir apoio. A autonomia depende dessa clareza”, diz.
4. Definir o espaço que a empresa quer ocupar em 2027
O posicionamento precisa orientar escolhas comerciais e operacionais. Isso envolve definir qual público será priorizado, qual problema a empresa pretende resolver e quais entregas sustentam sua proposta.
A decisão também implica reconhecer quais demandas não fazem sentido para o negócio. Atender a todo tipo de cliente pode dispersar recursos e dificultar a construção de uma oferta consistente. O posicionamento escolhido deve aparecer nos preços, no atendimento, na comunicação e nas prioridades da equipe.
5. Converter metas em entregas ainda em 2026
Crescer, melhorar a margem ou reduzir a dependência do dono são direções que precisam ser desdobradas. Cada objetivo deve ter um indicador, um responsável, recursos previstos e uma primeira entrega com data definida.
Se a meta é ampliar as vendas, por exemplo, novembro pode ser usado para revisar a carteira, identificar oportunidades e estabelecer uma rotina comercial. Se a prioridade é ganhar autonomia, o compromisso inicial pode ser transferir um processo completo e avaliar seu funcionamento até o encerramento do ano.
“O planejamento ganha consistência quando muda a agenda e a distribuição de responsabilidades. Antes de dezembro, o empresário precisa conseguir apontar qual decisão já tomou, quem vai executá-la e como saberá se funcionou”, conclui Fernanda.
Sobre Fernanda Tochetto
Fernanda Tochetto é psicóloga, empresária e autora best-seller, com mais de 24 anos de experiência em educação empresarial. Criadora do termo mentalidade de valor, dedica-se a transformar resultados por meio de estratégias que englobam autoridade, vendas e desenvolvimento de ecossistemas empresariais. Fundadora do Tittanium Club, movimento de educação empresarial que utiliza metodologia exclusiva para promover o crescimento pessoal e profissional, e cofundadora da Mentoring League Society (MLS), a maior liga de mentores do Brasil. Atua como mentora de empresários, profissionais da saúde e outros mentores que buscam estruturar negócios escaláveis.