setembro 16, 2026

A nova conta do crescimento empresarial com a Reforma Tributária

Reforma Tributária e crescimento empresarial

Mudanças nas regras já levam empresários a rever preços, margens, fornecedores e investimentos para proteger resultados e preparar a expansão dos negócios

A Reforma Tributária já começa a interferir em decisões que vão além do pagamento de impostos. Levantamento da KPMG com 35 empresas mostrou que 86% ainda não tinham uma visão consolidada dos impactos financeiros das mudanças e 51% não haviam elaborado um plano de ação. O tema ganhou novo peso em agosto de 2026, quando Receita Federal e Comitê Gestor do IBS regulamentaram um programa nacional para apoiar a adaptação dos contribuintes às novas obrigações durante 2026.

Leonardo Bastos é empresário, contador e especialista em crescimento empresarial, formado em Ciências Contábeis e com MBA em Direito Tributário e Auditoria Digital. Sócio da MLS e fundador do Magnus Club, comunidade voltada à formação e conexão de empresários, avalia que a Reforma Tributária precisa entrar no planejamento das companhias como uma variável de crescimento. “A Reforma Tributária não pode ficar restrita ao departamento fiscal. O empresário precisa entender como as mudanças chegam à margem, ao preço, aos fornecedores, aos investimentos e à capacidade de expansão do negócio”, afirma.

Reforma Tributária chega à estratégia empresarial

A distância entre a área tributária e as decisões estratégicas ainda aparece nos números. Na mesma pesquisa da KPMG, 63% das empresas afirmaram não considerar os efeitos da reforma no lançamento de novos produtos e serviços. Outros 69% ainda não avaliaram os impactos em operações de fusões e aquisições. Apenas 31% classificavam o tema como altamente prioritário na agenda estratégica.

Para o empresário, esses indicadores mostram que parte das empresas ainda trata a mudança como uma etapa de adequação, quando seus efeitos podem alcançar decisões comerciais e financeiras. “Antes de abrir uma nova unidade, lançar um produto ou aumentar uma operação, será necessário entender se aquela estratégia continua fazendo sentido dentro da nova estrutura tributária. Crescimento não pode ser medido apenas por faturamento. É preciso avaliar quanto daquela expansão efetivamente se transforma em resultado”, ressalta.

Uma das áreas que exigem revisão é a formação de preços. Análise da KPMG sobre a Reforma Tributária aponta que a nova lógica de tributação pode alterar margem de lucro, competitividade e organização da cadeia produtiva. “Preço não pode ser revisto olhando apenas para a alíquota. É necessário colocar na mesa custo, margem, fornecedor, estrutura operacional e posicionamento comercial. Uma decisão errada de precificação pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, reduzir a rentabilidade”, aponta o especialista.

Fornecedores e investimentos entram na revisão

A cadeia de fornecimento também passa a ganhar importância. Segundo a KPMG, as alterações na lógica da tributação exigem uma reavaliação das estratégias de formação de preços desde a cadeia de suprimentos até a relação com o consumidor. Durante a transição, empresas terão de administrar simultaneamente elementos do sistema atual e das novas regras, aumentando a necessidade de integração entre áreas financeiras, comerciais e tributárias.

“Planejamento tributário não é procurar atalhos. É entender as regras, fazer simulações e tomar decisões melhores dentro da legalidade. Quando isso é feito junto com o planejamento financeiro e comercial, a empresa consegue enxergar com antecedência onde precisa proteger margem e onde pode encontrar espaço para crescer”, explica.

O movimento de adaptação ganhou um componente adicional neste mês. Em 13 de agosto, o Ministério da Fazenda informou que Receita Federal e Comitê Gestor do IBS regulamentaram o Programa Nacional de Conformidade Tributária para 2026. A iniciativa prioriza orientação, acompanhamento e correção de inconsistências durante a implementação das novas obrigações fiscais.

Na avaliação de Bastos, o avanço da implementação torna 2026 um período importante para que empresários revisem números antes das próximas etapas da transição. “Quem esperar todas as mudanças chegarem para depois analisar o impacto estará trabalhando de forma reativa. A Reforma Tributária pode ser usada agora para revisar processos, testar preços, avaliar fornecedores e projetar investimentos. A questão tributária precisa participar da decisão sobre onde, quando e como a empresa pretende crescer”, conclui.

Sobre Leonardo Bastos

Leonardo Bastos é empresário, contador, perito contábil judicial, investidor e especialista em crescimento empresarial. É sócio da MLS e fundador do Magnus Club, comunidade voltada à formação e conexão de empresários. Lidera atualmente um grupo empresarial que atende centenas de empresas em todo o Brasil, com foco em crescimento sustentável, eficiência operacional, gestão estratégica e aumento de lucratividade.

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