Nova geração de agentes inteligentes passa a operar sistemas corporativos em nome dos profissionais e inaugura uma nova fase da transformação digital baseada em resultados, e não em interfaces.
Os agentes de inteligência artificial começam a transformar a forma como profissionais utilizam softwares corporativos. Em vez de navegar por diferentes aplicações para executar uma tarefa, o usuário passa a informar o resultado desejado, enquanto agentes consultam sistemas, integram dados e executam processos nos bastidores. O software não desaparece, mas deixa de ser o principal ponto de interação entre pessoas e tecnologia.
Durante décadas, a transformação digital das empresas seguiu uma lógica relativamente estável: cada necessidade deu origem a uma aplicação específica, criando um ambiente fragmentado no qual uma única atividade frequentemente exige navegar entre diferentes plataformas e repetir informações em vários sistemas.
A chegada dos agentes de IA propõe uma mudança nessa dinâmica. Em vez de aprender onde cada função está localizada, o usuário informa um objetivo — como identificar clientes com contratos próximos do vencimento, analisar seu histórico de atendimento, preparar uma proposta comercial e agendar uma reunião. O agente consulta os sistemas necessários, cruza informações e coordena todas as etapas do processo automaticamente.
Para Vinícius Reis, CTO da StaryaAI, a principal inovação não está na substituição dos softwares, mas na forma como eles passam a ser utilizados. “O agente não substitui o CRM, o ERP ou qualquer outro sistema corporativo. Ele passa a orquestrar essas aplicações para executar um objetivo definido pelo usuário. A complexidade deixa de estar na operação manual dos sistemas e migra para uma arquitetura baseada em integrações, permissões e governança”, afirma.
A mudança ocorre em um momento em que o mercado acelera a adoção dessa tecnologia. Segundo projeção do Gartner, mais da metade das empresas poderá deixar de investir em soluções de IA exclusivamente assistivas até 2028 para priorizar plataformas orientadas à execução de resultados. A consultoria também estima que, no mesmo período, um terço das experiências dos usuários poderá migrar das interfaces tradicionais para interfaces agênticas.
Levantamento global da McKinsey mostrou que 62% das organizações já experimentavam agentes de IA em 2025, embora a maior parte ainda permanecesse em fase piloto. No mesmo período, a Microsoft identificou que 46% dos líderes afirmavam utilizar agentes para automatizar processos em áreas como atendimento ao cliente, marketing e desenvolvimento de produtos.
Apesar do avanço, especialistas apontam que a adoção bem-sucedida depende menos da qualidade dos modelos de linguagem e mais da capacidade das empresas de integrar seus sistemas e estabelecer mecanismos robustos de governança. “Um agente só consegue executar processos de ponta a ponta quando está conectado aos dados, respeita as permissões da organização e opera com observabilidade completa. Sem integração, ele se torna apenas mais uma interface”, explica Reis.
Na avaliação do executivo, essa nova realidade exige três pilares fundamentais: orquestração entre sistemas, governança sobre permissões e decisões, e rastreabilidade completa das operações executadas por agentes inteligentes. “O software não está desaparecendo. O que muda é seu papel. As aplicações deixam de ser o lugar onde o trabalho acontece e passam a funcionar como infraestrutura para agentes inteligentes”, conclui o CTO.
Sobre a StaryaAI
Fundada em 2024, a StaryaAI tem como objetivo capacitar organizações e auxiliá-las a transformar operações e decisões com agentes de IA orquestrados com governança, proporcionando eficiência, personalização e impacto humano em cada interação.