setembro 11, 2026

Aprovação de PEC do fim da jornada 6×1 mostra como Geração Z muda prioridades no trabalho

Bell Gama, sócia-fundadora da Air Branding

Com maior valorização do equilíbrio entre vida pessoal e carreira, jovens profissionais passaram a questionar modelos tradicionais de trabalho e pressionam empresas a rever benefícios oferecidos

A aprovação da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, reacende as discussões sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil e sobre as expectativas de uma nova geração de profissionais. A proposta segue agora para análise do plenário da Casa, onde precisará de ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos. O texto mantém a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais em uma transição de 14 meses, sem redução de salários, além da garantia de dois dias de descanso, preferencialmente aos domingos.

“Essa geração valoriza propósito e ambiente de trabalho, mas também entende o reconhecimento financeiro e o espaço para evolução pessoal como parte essencial do pacote de benefícios”, afirma Bell Gama, cofundadora e CEO da Air Branding, agência pioneira em Employer Branding no Brasil. Com base em 29 empresas respondentes, a Air Branding produziu, em parceria com a consultoria SmartCommns, uma pesquisa que analisou, em 2025, as expectativas, percepções e dores reais dos profissionais no mundo corporativo.

Segundo o levantamento, a valorização da remuneração condizente atingiu nota 4,88 e o pacote de benefícios, 4,84, em uma escala de 1 a 5 pontos. Para Bell Gama, o talento percebeu que a “solidez” de uma marca não garante o emprego na hora da crise, o que elevou a exigência por remuneração e por autonomia — rotina, decisões, trabalho remoto.

“É preciso entender que o vínculo trabalhista com uma empresa é um contrato de troca em que a remuneração é apenas uma parte desse acordo. Outras recompensas como flexibilidade e tempo para a vida pessoal também são prioridades, especialmente para a nova geração. Por isso é tão importante que a legislação acompanhe as mudanças da sociedade, mas que as empresas também busquem novos modelos”, diz Bell Gama.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 68% dos jovens entre 16 e 24 anos preferem o trabalho autônomo ao modelo tradicional de carteira assinada. Para reverter essa percepção, Bell Gama defende que as empresas revisitem sua Proposta de Valor ao Empregado (EVP), alinhando benefícios a fatores como remuneração (69%) e cultura (39,1%), segundo dados da consultoria. Organizações que estruturam esse posicionamento ampliam em até 35% sua capacidade de atração de talentos e registram aumento de até 80% no volume de candidaturas, segundo amostragem de 55 EVPs coletados ao longo de seis anos pela Air Branding.

“A tendência é que, nos próximos anos, a retenção de talentos esteja cada vez mais ligada à capacidade das empresas de oferecer o pacote completo: remuneração, autonomia, qualidade de vida e espaço para desenvolvimento individual”, finaliza Bell Gama.

Sobre a Air Branding

Fundada em 2015, a agência e consultoria Air Branding é pioneira no Brasil em Employer Branding. Em seu portfólio estão marcas como Nubank, Petrobras, Arcos Dourados (McDonald’s), Grupo Boticário, Bayer e Unilever, entre 180 clientes atendidos desde a fundação. A agência é liderada por Bell Gama e pelos sócios Carlos Eduardo Ribeiro Dias, Vinícius Lopes, Daniel Carmona, Vinicius Caligares, Valéria Pereira e Fernando Brandão, e é a representante latino-americana na One Agent, maior rede global de agências de marcas empregadoras.

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