agosto 12, 2026

Ata Copom – Ago/2026: tom dovish mantém a porta aberta para setembro, avalia Galapagos Capital

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília

Comentário — Ata do Copom — Galapagos Capital

Mensagem dovish. A ata de agosto trouxe um tom ligeiramente “dovish”, em particular na descrição da evolução da atividade econômica. Segundo a ata, (i) a atividade entrou em momento de “inflexão no ciclo econômico”, (ii) com desaceleração “disseminada entre os componentes de oferta e demanda”; (iii) no mercado de trabalho o desemprego segue baixo, mas “o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração” e os rendimentos “desaceleraram na margem”. Como já se sabia do comunicado, o balanço de riscos foi mantido com assimetria altista explícita e há um grau de maior atenção com a desancoragem das expectativas, apesar de a ata ter sinalizado também que há um debate sobre as causas dessa deterioração. Nada disso, porém, impediu o comitê de afrouxar a política monetária na última reunião. No conjunto, a comunicação recente mostra uma postura dependente de dados e mantém aberta a possibilidade de um novo corte da Selic em setembro.

Atividade econômica: moderação disseminada. A ata descreve uma “moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores”, e a seção de riscos confirma “desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda”. No mercado de trabalho, a inflexão de tom é o dado: o desemprego segue em mínimas, mas a taxa de ocupação “vem apresentando desaceleração” e os rendimentos “desaceleraram na margem, mesmo em termos nominais”.

Inflação e expectativas: o teto ficou para trás. Em junho o IPCA cheio havia rompido o limite superior da meta; na ata de agosto, desacelerou e as medidas subjacentes recuaram para “nível ligeiramente abaixo do limite superior da meta”. Nas expectativas, a leitura do quadro pareceu mista: Focus 2026 caiu de 5,30% para 5,0%, enquanto 2027 subiu marginalmente de 4,10% para 4,2%.

Balanço de riscos: assimetria altista, sem novidade. Ao contrário de junho, quando a assimetria altista foi a revelação central, a ata de agosto apenas a repete com um texto praticamente idêntico, quatro vetores de alta contra três de baixa. Essa avaliação, no seu conjunto, não tem impedido o afrouxamento adicional da política monetária.

Função de reação: o ciclo de pausa-e-retomada saiu de cena. A comunicação de agosto foi simplificada. Sumiu toda a modelagem elaborada de trajetórias alternativas. No lugar, vieram três parágrafos diretos: a transmissão da política contracionista “tem se acumulado gradualmente”; choques de oferta exigem “não reagir aos efeitos primários”, mas “reagir com firmeza” a efeitos de segunda ordem caso se materializem; e a “magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário”.

“Bottom line”: data-dependent, com setembro em aberto. Com a inflação subjacente abaixo do teto, projeção do horizonte relevante perto da meta e a comentada inflexão no mercado de trabalho, vemos provável espaço na visão do Copom para outro corte de 25bps em setembro. O Comitê não se comprometeu com pausa, e a assimetria altista preservada no balanço de riscos não tem sido fator impeditivo para flexibilização. A Galapagos Capital segue atenta aos próximos dados de inflação, expectativas e, particularmente, à confirmação de um cenário de inflexão da atividade discutido pelo comitê a fim de calibrar o veredito de setembro.

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