Empresas brasileiras avançam em cibersegurança, mas aumento de gastos pós-incidente revela postura ainda reativa diante das ameaças
São Paulo, agosto de 2026 — O cenário de cibersegurança nas organizações brasileiras revela uma aparente contradição: ao mesmo tempo em que há confiança nos investimentos atuais, cresce de forma significativa o direcionamento de recursos para resposta a incidentes, indicando um modelo ainda reativo diante de ameaças cada vez mais sofisticadas.
Segundo dados do CIO Report 2026, estudo promovido pela Logicalis, empresa global de soluções e serviços de tecnologia da informação e comunicação, em parceria com a Vanson Bourne, 72% das empresas brasileiras aumentaram o orçamento para remediação pós-incidente ou pagamentos relacionados a ataques, enquanto 28% não observaram essa elevação. Mundialmente, o movimento se repete: 68% confirmam o aumento do orçamento para remediação.
“O retrato da cibersegurança no Brasil e no mundo é, acima de tudo, paradoxal. Há avanço, investimento e conscientização. Mas também há sinais de que muitas organizações ainda são orientadas pela resposta ao incidente e não pela antecipação da ameaça. Em um ambiente onde ataques são cada vez mais automatizados, sofisticados e imprevisíveis, essa diferença deixa de ser operacional e passa a ser estratégica”, avalia Tiago Matias, líder de cibersegurança da Logicalis Brasil.
Paradoxalmente, 66% das organizações afirmam que seus orçamentos são suficientes para atender às necessidades críticas de cibersegurança — o que expõe um desalinhamento estrutural: há recursos, mas sua alocação ainda parece privilegiar o pós-ataque.
No campo operacional, o Brasil demonstra evolução relevante, embora com lacunas importantes. 58% das empresas realizam pentests regularmente. No entanto, 40% ainda não executam testes de intrusão de forma consistente e 2% não souberam responder.
A escassez de profissionais especializados segue como um dos principais gargalos. Em resposta, 94% das organizações no Brasil já adotaram medidas para mitigar o problema, priorizando contratação baseada em habilidades, treinamentos e certificações. Essa transformação também se reflete nas estratégias de contratação: 58% apostam no desenvolvimento de programas de reentrada profissional e na criação de trajetórias para uma segunda carreira em cibersegurança, 56% recorrem a incentivos financeiros para colaboradores que identificam e evitam proativamente ataques cibernéticos, e apenas 6% não possuem planos estruturados.
No campo da computação quântica aplicada à cibersegurança, o Brasil ainda apresenta um nível de preparação limitado: 47% possuem estratégias mais maduras, 44% estão em estágio parcial e 9% ainda não abordaram o tema. Na prática, 52% das organizações não estão totalmente preparadas para esse cenário.
Apesar das tensões estruturais, a percepção geral sobre a eficiência dos investimentos é positiva: 66% discordam de que não extraem valor das soluções, 63% discordam de que os sistemas de aplicação de patches de segurança são complexos demais para serem gerenciados de forma eficaz e 58% rejeitam a ideia de que há investimento exagerado em soluções subutilizadas.
Sobre o CIO Report 2026: No final de 2025, a Logicalis contratou o especialista independente em pesquisa de mercado Vanson Bourne para entrevistar 1.000 profissionais de negócios e TI na EMEA, APAC e Américas, incluindo 100 executivos no Brasil — todos de nível gerencial ou superior, sendo 28% proprietários ou CEOs e 44% C-level, board members ou diretores.
Sobre a Logicalis: Provedora global de serviços de tecnologia, com soluções baseadas em IA para nuvem, conectividade, colaboração e segurança. Conta com mais de 7.000 profissionais em mais de 30 territórios, atendendo mais de 10.000 clientes. É uma divisão da Datatec Limited, listada na Bolsa de Valores de Joanesburgo.