junho 27, 2026

Brasil e Marrocos avançam na Copa do Mundo e reforçam parceria no agronegócio

Classificados para o mata-mata, os dois países que dividiram o Grupo C são também grandes parceiros comerciais no mercado de fertilizantes

A fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 terminou com Brasil e Marrocos lado a lado: as duas seleções se classificaram para o mata-mata pelo Grupo C, com a equipe brasileira na liderança e a marroquina em segundo lugar. O Brasil garantiu o primeiro lugar pelo saldo de gols, após vencer a Escócia por 3 a 0, enquanto o Marrocos superou o Haiti por 4 a 2.

Mais do que adversários na estreia, a campanha colocou frente a frente dois países que, fora dos gramados, mantêm uma relação comercial sólida e complementar. Enquanto o Brasil exporta alimentos ao país africano, como açúcar, milho e carne bovina, o Marrocos é um dos principais parceiros do agronegócio brasileiro no fornecimento de fertilizantes fosfatados, os principais insumos para produtividade no campo.

O Marrocos é atualmente o segundo maior produtor de fertilizantes fosfatados, responsável por cerca de 12,5% das 240 milhões de toneladas produzidas no mundo, e detendo a maior reserva de fosfato do planeta, de acordo com um levantamento da USGS (United States Geological Survey), realizado na edição de janeiro/2025 da Mineral Commodity Summaries. A dimensão estratégica de Marrocos está no subsolo do país: concentra 50 bilhões das 74 bilhões de toneladas de reservas mundiais de fosfato, equivalente a mais de dois terços (67,6%) de todo o fosfato conhecido do planeta.

O país africano ajuda a abastecer a agricultura brasileira, que, por sua vez, contribui para a segurança alimentar global, já que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de alimentos: líder global na produção de soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina, de acordo com a base de dados da FAOSTAT, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, compilados pela Embrapa.

O Brasil produz internamente menos de 5% do fertilizante que consome e importou cerca de 88% de todo o adubo utilizado em 2025, quando as entregas ao mercado nacional somaram 49,11 milhões de toneladas, conforme indicado pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), acompanhando o crescimento da safra brasileira de grãos, que chegou a 346,1 milhões de toneladas no mesmo ano; é o que também afirma a apuração feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Marrocos é um dos principais fornecedores desse insumo, sobretudo dos fosfatados, o que torna a parceria entre os dois países um elo silencioso, mas decisivo, por trás de cada safra brasileira.

O CEO de GIROAgro e especialista em fertilizantes, Leonardo Sodré, destacou o papel do agronegócio brasileiro na cadeia alimentar global: “O agro é um celeiro de lideranças que fazem acontecer no setor que é responsável por grande parte da economia nacional, mas também por alimentar o mundo”. O especialista ainda afirmou que “tudo isso demonstra que nós estamos no caminho certo, fazendo o que a gente acredita e o que a gente confia que seja o melhor caminho para o país, provocando também outras empresas e outras lideranças para fazerem a diferença”.

Essa complementaridade reflete a posição do Brasil em uma cadeia globalizada e dinâmica. Os números mostram a força do agronegócio nacional e o quanto a eficiência no uso de insumos se torna cada vez mais estratégica. É natural que haja relações comerciais com países que tenham relevância no mercado de fertilizantes no mundo, já que existe uma dependência de elementos químicos, como potássio e fósforo. Isso torna a nossa economia mais ativa e ajuda a movimentar um dos mercados mais expressivos da cadeia produtiva nacional.

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