agosto 9, 2026

China já é o presente e empresas brasileiras que ignoram esse movimento perdem competitividade

Porto de Santos, principal porto do Brasil

A China manteve em 2025 a posição de principal parceiro comercial do Brasil, concentrando cerca de 30% das exportações e mais de 22% das importações brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A corrente de comércio entre os dois países seguiu acima de US$ 150 bilhões no período, reforçando o papel central do mercado asiático na dinâmica empresarial brasileira. O movimento indica que o acesso à China deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para competir.

Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, a mudança é estrutural e já redefine o padrão competitivo das empresas. “Hoje, competir sem acessar a China é operar com desvantagem. Não se trata mais de oportunidade, mas de eficiência. Quem domina essa cadeia consegue proteger margem e ganhar escala”, afirma.

O avanço da China está ligado à combinação de escala produtiva, eficiência industrial e integração logística, que permite ao país operar com custos mais baixos e maior velocidade de entrega. Esse cenário pressiona a indústria global e exige adaptação das empresas brasileiras, que passam a rever suas estratégias para manter a competitividade.

Custo, escala e estratégia redefinem o jogo competitivo

Na prática, o impacto para as empresas é direto. Ao acessar fornecedores chineses, companhias conseguem reduzir custos de aquisição, ampliar portfólio e aumentar margem. O modelo também permite operar com maior flexibilidade, ajustando pedidos conforme a demanda e evitando excesso de estoque. “A importação bem estruturada transforma custo em vantagem competitiva. Ela permite comprar melhor, negociar melhor e posicionar o produto de forma mais estratégica”, diz Braz.

Outro benefício relevante está no acesso à inovação. A indústria chinesa concentra grande parte da produção global de componentes e tecnologias, o que acelera o desenvolvimento e lançamento de novos produtos no mercado brasileiro.

Para o consumidor final, os efeitos aparecem principalmente em preço e variedade. “O consumidor passa a ter mais opções e acesso mais rápido a produtos atualizados, muitas vezes com melhor custo”, afirma Braz.

O que as empresas precisam fazer para acessar o mercado chinês

Apesar das oportunidades, o avanço das importações exige preparo e estratégia. A relação com fornecedores internacionais envolve riscos como variação cambial, prazos logísticos e diferenças regulatórias, o que demanda estrutura e planejamento.

O primeiro passo é definir o objetivo da importação, seja reduzir custo, ampliar portfólio ou desenvolver marca própria. Em seguida, é essencial identificar e validar fornecedores, analisando qualidade, certificações e capacidade produtiva.

Outro ponto crítico é a estruturação da operação, incluindo negociação de volumes, definição de prazos, planejamento logístico e análise tributária. “Importar não é simplesmente comprar fora. É construir uma cadeia eficiente. Quem não faz isso com critério pode comprometer toda a operação”, afirma.

Especialistas recomendam iniciar operações menores, testar fornecedores e ajustar processos antes de escalar, reduzindo riscos e permitindo ganho de experiência gradual.

O avanço das marcas próprias

O crescimento das marcas próprias representa uma mudança estrutural na cadeia. “A marca própria deixou de ser uma alternativa do varejo e passou a ser uma estratégia da indústria. Ela permite controlar melhor a margem, evitar conflito de canal e fortalecer a presença em regiões específicas”, afirma Braz.

Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que 94,2% das empresas industriais brasileiras são de pequeno porte e enfrentaram deterioração nas condições financeiras ao longo de 2025. Nesse contexto, estratégias que ampliam a margem e reduzem a dependência de terceiros ganham relevância.

“O consumidor passa a ter mais opção e mais poder de escolha. Quando a cadeia fica mais eficiente, esse ganho chega na ponta em forma de preço e variedade”, afirma Braz.

Sobre Gustavo Braz

Gustavo Braz é empresário e CEO do Grupo PMD, uma das principais importadoras de ferramentas diamantadas do Brasil. À frente da companhia, lidera a expansão comercial e o posicionamento de mercado, tendo conduzido um crescimento de quase 600% nos últimos anos.

Sobre o Grupo PMD

O Grupo PMD atua no mercado de ferramentas diamantadas, com foco na importação, desenvolvimento e distribuição de produtos voltados à construção civil, operando com marcas próprias e estrutura comercial integrada que conecta fornecedores internacionais a uma rede de distribuidores em todo o país.

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