outubro 14, 2026

Chuvas e incerteza eleitoral freiam varejo físico, que recua 3,1% em setembro, aponta Seed Digital

Varejo Físico no Brasil

Levantamento mostra que lojas de rua tiveram queda de 3,6% no fluxo de visitantes, enquanto os shopping centers registraram retração de apenas 0,3%; Região Sul apresentou o pior resultado do país

O fluxo de visitantes no varejo físico brasileiro caiu 3,1% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV Seed), da Seed Digital. O resultado reflete um conjunto de fatores que afetaram a circulação de consumidores pelo país, entre eles o excesso de chuvas em diferentes regiões, o feriado prolongado de 7 de setembro e um ambiente econômico marcado pela cautela diante das incertezas políticas e da pressão inflacionária.

O desempenho evidencia os desafios enfrentados pelo comércio em um período sem grandes datas promocionais, no qual as condições climáticas e a disposição dos consumidores para gastar ganharam relevância para o movimento nas lojas físicas.

Um dos principais destaques do levantamento é a diferença entre os canais de venda. Enquanto as lojas de rua registraram retração de 3,6% no fluxo de visitantes, os shopping centers apresentaram maior resiliência, com variação negativa de apenas 0,3% em relação a setembro de 2025. A diferença sugere que a combinação de compras, gastronomia, serviços e lazer contribui para manter a atratividade dos shoppings mesmo em períodos menos favoráveis ao consumo.

Chuvas ampliam as diferenças regionais

O Nordeste foi o único a apresentar resultado positivo em setembro, com crescimento de 0,8% no fluxo de visitantes. As demais regiões registraram retração, com destaque negativo para o Sul, cuja queda chegou a 10,2%. O Sudeste apresentou recuo de 1,8%, enquanto Centro-Oeste e Norte registraram baixas de 1,0% e 3,2%, respectivamente.

Em Curitiba, o volume acumulado de chuva chegou a 339,4 milímetros em setembro, ante uma média histórica de 129,5 milímetros. Em São Paulo, o acumulado atingiu 198,2 milímetros, tornando o mês um dos mais chuvosos do ano.

Incerteza econômica mantém o consumidor cauteloso

O IICV Seed também aponta a incerteza pré-eleitoral e a pressão inflacionária como fatores relevantes para o comportamento do varejo. Consumidores tendem a adotar maior prudência nas decisões de compra, enquanto os varejistas precisam equilibrar estratégias promocionais, custos e preservação de margens.

Outubro combina oportunidades e desafios para o varejo

Para outubro, o calendário traz oportunidades ligadas ao Dia das Crianças, mas também desafios associados ao período eleitoral. O histórico do levantamento mostra que o fluxo do varejo físico costuma cair significativamente aos domingos de eleição. No primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, a retração foi de 55,6% no fluxo desse dia. O segundo turno, previsto para 25 de outubro, representa uma nova interrupção potencial.

“Nesse contexto, acompanhar a circulação de consumidores e as diferenças de comportamento entre regiões e canais torna-se importante para orientar decisões comerciais, o planejamento de ações promocionais e a gestão das operações”, aponta Sidnei Raulino, fundador da Seed Digital.

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