Por João Carlo Mauro, autor e pesquisador da TGT ISG
A aceleração da IA nas empresas fez a cibersegurança migrar da sala de servidores diretamente para a ordem do dia dos conselhos e C-levels. Enquanto a tecnologia impulsiona a produtividade, modelos avançados de IA já executam etapas complexas de ataques cibernéticos em tempo real. Tratar a segurança da informação como um “check-out” posterior ao lançamento de produtos deixou de ser uma falha técnica para se tornar um risco direto à receita, à governança e ao valor de mercado da empresa.
O CISO precisa estar na mesa onde o negócio arquiteta e toma decisões
A inteligência artificial deixou de ser uma discussão exclusivamente tecnológica. Para C-levels ela representa uma oportunidade de crescimento e, ao mesmo tempo, uma nova superfície de riscos. Quanto mais as empresas incorporam IA a produtos e serviços, processos e decisões, maior é a necessidade de integrar cibersegurança à própria estratégia de negócio.
O CISO (Chief Information Security Officer) tem um papel fundamental nas organizações, contribuindo através da proteção dos ativos de informação para a saúde do negócio. As empresas que têm CISO no board possuem resultados melhores e mais expressivos. Quando a segurança participa das discussões estratégicas, a empresa consegue antecipar riscos, fortalecer sua governança e tomar decisões mais sustentáveis. A segurança não pode mais entrar em cena depois que o negócio já decidiu o que fazer.
A evolução da IA evidencia essa mudança. Em testes realizados em ambiente controlado, modelos avançados já demonstraram capacidade de executar etapas complexas associadas a ataques cibernéticos, incluindo identificação de vulnerabilidades e exploração de sistemas. A mesma tecnologia capaz de ampliar produtividade e eficiência também sofistica ameaças. O desafio é, portanto, adotar IA sob forte governança, controles e supervisão adequados.
Essa lógica vale para qualquer transformação tecnológica. Quando a segurança é envolvida desde o planejamento, riscos são identificados antes que se tornem incidentes, retrabalho ou perdas financeiras. As perdas afetam a receita, minam a confiança e a competitividade.
Ainda assim, muitas organizações encaram a cibersegurança como uma etapa posterior. Projetos são desenvolvidos, sistemas são implementados e novas soluções chegam à operação sem o envolvimento da segurança. Então, a vulnerabilidade aparece quando o problema já está em produção.
A principal transformação não é tecnológica: é cultural. O CISO tem que deixar de ser visto como executivo que apenas diz ‘não’ para se tornar o guardião do negócio, oferecendo segurança, velocidade e previsibilidade.
No último ano, o mercado brasileiro de cibersegurança foi avaliado em US$ 5,5 bilhões pelo IMARC Group e deve alcançar US$ 12 bilhões até 2034, com investimentos de US$ 18,6 bilhões previstos entre 2025 e 2028.
Cibersegurança não pode ser vista como um centro de custo ou uma barreira à inovação. É uma disciplina de gestão de risco vital e, cada vez mais, um ativo estratégico para o crescimento sustentável.
Sobre o autor: João Carlo Mauro é autor e pesquisador da TGT ISG, responsável pelos estudos ISG Provider Lens™ sobre os mercados de Cybersecurity e Databricks no Brasil. Possui ampla experiência como executivo sênior de segurança da informação em instituições financeiras.