outubro 24, 2026

Com a IA nas empresas, o que diferencia um bom gestor?

Elizeu Barroso Alves, doutor em Administração e coordenador de curso na Uninter

Por Elizeu Barroso Alves*

Durante muito tempo, falar em gestão significava pensar em planejamento, controle, eficiência e resultados, sendo que esses elementos continuam importantes, mas o ambiente empresarial mudou. A transformação digital, a inteligência artificial, a automação e as novas formas de organização do trabalho estão alterando não apenas as empresas, mas também aquilo que se espera de quem ocupa uma posição de gestão.

Os números ajudam a dimensionar essa mudança: o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, aponta que 39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão ser transformadas ou ficar desatualizadas até 2030. O mesmo estudo, baseado nas expectativas de mais de mil empresas em 55 economias, indica que 60% dos empregadores consideram a ampliação do acesso digital um fator capaz de transformar seus negócios até 2030.

No Brasil, essa transformação também já aparece nos dados. Segundo o IBGE, 41,9% das empresas industriais brasileiras com 100 ou mais pessoas ocupadas utilizaram inteligência artificial em 2024, contra 16,9% em 2022. Entre as tecnologias digitais avançadas investigadas, 89,1% dessas empresas utilizaram pelo menos uma delas, incluindo inteligência artificial, computação em nuvem, big data, internet das coisas, manufatura aditiva ou robótica.

Diante desse cenário, o novo gestor não pode ser apenas aquele que domina ferramentas, e a tecnologia, por si só, não produz estratégia. O desafio está em compreender como utilizar esses recursos para resolver problemas, criar valor, tomar decisões e coordenar pessoas.

Isso exige uma combinação que pode parecer paradoxal: domínio tecnológico e capacidade essencialmente humana. O próprio World Economic Forum aponta que, ao lado de competências tecnológicas, continuam ganhando importância o pensamento analítico, a criatividade, a resiliência, a flexibilidade, a agilidade e a liderança.

Por isso, talvez a principal característica do novo gestor seja a capacidade de aprender continuamente. Em um ambiente no qual as competências mudam rapidamente, administrar significa também questionar modelos estabelecidos, interpretar dados, compreender tecnologias e, sobretudo, reconhecer que pessoas não são simplesmente recursos a serem administrados.

O gestor do futuro não será aquele que sabe tudo sobre tecnologia, mas aquele que sabe fazer perguntas melhores, conectar conhecimento, pessoas e tecnologia e transformar mudança em capacidade organizacional. A verdadeira transformação, portanto, não está apenas nas máquinas ou nos algoritmos. Está na maneira como escolhemos gerir organizações em um mundo que deixou de permanecer estável.

*Elizeu Barroso Alves é doutor em Administração e Coordenador de Curso no Centro Universitário Internacional Uninter.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors