Conectividade chega a áreas remotas do Rio Tapajós e traz desafios para a gestão local.
A chegada da internet às comunidades ribeirinhas do Rio Tapajós trouxe avanços na educação e na comunicação, mas também desafios para a gestão local. Com crianças e adolescentes cada vez mais conectados, as lideranças comunitárias precisam estabelecer regras para garantir um uso equilibrado da tecnologia, preservando a cultura e o modo de vida tradicional.
A facilidade de conectividade trouxe o aprendizado, permitindo que os estudantes acessassem conteúdos antes restritos às cidades. As escolas passaram a incorporar plataformas digitais, ampliando a troca de conhecimento com professores e alunos de outras regiões. “Antes, dependíamos apenas dos livros e do que o professor poderia trazer. Hoje, a internet nos dá mais possibilidades de estudo”, conta um educador da comunidade de Boim.
O impacto da conectividade vai além das salas de aula. Para muitas famílias, o acesso digital encurtou distâncias, permitindo a comunicação com parentes que vivem em outras cidades e facilitando o acesso a serviços públicos, como consultas médicas por telemedicina. As organizações locais também utilizam as redes para divulgar a cultura ribeirinha e fortalecer o turismo comunitário.
Desafios e regras para o uso da internet
No entanto, o crescimento do tempo de tela gerou preocupações. Os jovens passaram a passar mais tempo nas redes sociais, diminuindo sua participação em atividades tradicionais, como a pesca, a agricultura e o artesanato. Para lidar com essa mudança, as lideranças eficazes comunitárias. Em algumas localidades, a internet é liberada apenas em horários específicos e seu uso para entretenimento é limitado.
Além disso, há um esforço para educar os moradores sobre os riscos do ambiente digital. Com pouca experiência no mundo virtual, muitas famílias enfrentam dificuldades para identificar golpes e notícias falsas. “Já teve caso de gente que caiu em fraude por não entender bem como funcionam os pagamentos online”, relata um morador. Por isso, algumas comunidades organizaram escritórios para ensinar boas práticas na internet.
Outro desafio da gestão digital é a infraestrutura. O fornecimento de internet nas comunidades depende de sistemas precários de energia solar e de um sinal instável, dificultando a manutenção do serviço. Além disso, o custo dos equipamentos e a conexão ainda são altos para muitas famílias, criando desigualdades no acesso.
Gestão digital e o futuro da conectividade na Amazônia
Com a expansão da internet na região, gestores públicos e lideranças comunitárias buscam estratégias para garantir que a tecnologia seja usada de forma responsável e sustentável. Entre as soluções discutidas estão a criação de centros digitais comunitários, onde o acesso é monitorado e direcionado para fins educativos, e o fortalecimento de programas que integram a tecnologia à cultura ribeirinha.
“A internet é uma aliada, mas precisa ser bem administrada. Não podemos perder nossa identidade cultural”, afirma um líder local. A preocupação é garantir que a conectividade contribua para o desenvolvimento sem comprometer as tradições e o modo de vida da população.
O futuro da conectividade na Amazônia depende do equilíbrio entre inovação e preservação. Enquanto governos e ONGs investem em infraestrutura digital, as comunidades ribeirinhas buscam caminhos para integrar a internet ao cotidiano sem comprometer seus valores. O desafio é garantir que o avanço tecnológico respeite o ritmo e as necessidades locais.