outubro 14, 2026

Crescimento da demanda por saúde privada no Brasil escancara falhas de gestão no setor

Gilson Eloy Fernandes França, CEO da Weega Technologies

Tecnologias entram em operação para garantir melhorias, seja na redução do tempo médio de recebimento, que pode levar quase 80 dias e comprometer o fluxo de caixa, seja no tempo de espera em filas, que pode cair de 11 para apenas 3 minutos

O crescimento da demanda na saúde já é uma realidade no Brasil. Impulsionado pela transição demográfica e pelo envelhecimento da população, o setor opera próximo do limite: a taxa de ocupação hospitalar chegou a 79,9%, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados.

Salas lotadas, déficit de leitos e falta de insumos são o reflexo visível desse movimento. Contudo, para o CEO da Weega Technologies, Gilson França, esse momento revela um paradoxo pouco discutido. “Os números mostram um mercado em ascensão, mas também expõem falhas na operacionalização das instituições de saúde, que acabam comprometendo eficiência e o crescimento mesmo em meio a um momento favorável”.

Segundo o executivo, um desses gargalos é o prazo médio de recebimento pelos serviços prestados via planos de saúde. Esse repasse demora em torno de 78 dias, enquanto os pagamentos a fornecedores ocorrem, em média, em 46 dias. “Esse descasamento de 32 dias comprime o caixa. É justamente nesse cenário que a eficiência do backoffice se torna decisiva. Uma boa gestão garante que as instituições estejam preparadas para atender ao crescimento sem comprometer a sustentabilidade do negócio”, explica.

O Brasil possui mais de 270 mil estabelecimentos em operação, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Somente o setor de planos de saúde movimentou cerca de R$ 280 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, com lucro líquido na casa dos R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Para Philipe Nascimento, CTO de ERP e BI da Weega, uma das saídas é a interpretação dos dados já gerados pela instituição. “As clínicas e hospitais já geram informação o tempo todo, da agenda ao processamento do faturamento. O problema é ser capaz de extrair informações corretas e seguras e disponibilizá-las de forma inteligente e recorrente para que os gestores possam tomar decisões de forma ágil e efetiva para seus negócios”, resume.

Entre as soluções adotadas no setor está o BSA (Business Starter Analysis), da Weega Technologies. Integrado ao ERP, o sistema organiza dados de diferentes áreas e oferece uma visão contínua da operação.

Na recepção, a leitura de dados permite reorganizar fluxos, redistribuir horários e identificar gargalos. Com isso, o tempo médio de espera pode cair de 11 para 3 minutos. “Mais do que conforto, isso significa aumento de capacidade sem necessidade de expansão física”, diz França.

No atendimento, há registros feitos pela Weega que mostram crescimento de 7,46% no volume de atendimentos. O acompanhamento de pacientes que interromperam tratamentos eleva em cerca de 10% o retorno dessas pessoas à clínica. Na gestão de leitos, um Command Center monitora em tempo real ocupação, status e faturamento. No financeiro, processos de repasse médico, que podem levar até sete dias, passam a ser concluídos em um ou dois dias com a organização dos dados.

Com indicadores como DRE e DFC, a gestão passa a entender a sustentabilidade do negócio, inclusive a rentabilidade por paciente. “Muitas instituições descobrem que têm volume, mas não têm resultado. O dado mostra exatamente onde a margem está sendo criada ou destruída”, diz França.

“Quando o gestor entende o que está acontecendo, ele consegue agir antes que o problema vire custo ou impacto no atendimento. O dado traz previsibilidade para um ambiente que sempre foi reativo”, conclui França.

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