outubro 28, 2026

De 40h para 4h: o que fazer com o tempo economizado pela IA na TI?

Por Ricardo Sanchez Copriva*

A inteligência artificial altera uma das variáveis mais elementares da operação de tecnologia: o tempo. Uma atividade que antes levava 40 horas pode ser feita em 20, 10 ou até menos horas com o apoio da IA. Isso muda radicalmente a rotina dos times, mas também deixa um vácuo no centro de tomada de decisões: o que fazer com o tempo recuperado?

A resposta está na eficiência (algo que não se mede apenas em tempo). Ou seja, converter este tempo em capacidade. Análises ganham profundidade. Hipóteses podem ser testadas. Situações complexas podem ser melhor resolvidas e os processos ganham amplitude para melhorias. O ganho de produtividade não é sobre rapidez. É sobre utilizar melhor o tempo economizado.

O Vibe Coding é um bom exemplo. Exige-se muitas horas de analistas e desenvolvedores. Com o apoio da inteligência artificial, se torna uma mera rotina. Isso muda a velocidade de desenvolvimento, mas, diferentemente do que se pensa, não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Pelo contrário, a velocidade de produção torna ainda mais preponderante saber avaliar aquilo que foi produzido.

A IA não deve ser experimentada de maneira isolada. Um profissional testa uma ferramenta, gera um código, produz um documento ou faz uma análise e percebe que conseguiu concluir a tarefa em menos tempo. Isso é útil, mas é diferente de incorporar IA à operação.

Os dados precisam estar estruturados, a governança precisa existir, os acessos devem ser definidos e a segurança precisa fazer parte da arquitetura. Também são necessárias boas práticas e frameworks para que os times utilizem essas ferramentas de maneira consistente. Sem essa estrutura, podemos até aumentar a velocidade, mas não necessariamente a qualidade ou a previsibilidade da entrega.

E existe um ponto que considero fundamental: a experiência continua sendo um diferencial. Um profissional mais novo pode usar IA para chegar rapidamente a uma solução funcional. Um profissional experiente consegue ir além e questionar aquela solução: ela é segura? A arquitetura faz sentido? O custo é adequado? Vai escalar? Existe algum risco fora do radar?

Esse tipo de avaliação não vem de um prompt melhor. Vem de repertório, experiência e conhecimento sobre tecnologia e sobre os problemas que precisam ser resolvidos. É por isso que IA não é uma ameaça ao conhecimento acumulado. É uma ferramenta capaz de ampliar o que profissionais experientes conseguem fazer.

É aí que está o verdadeiro ganho de produtividade. A IA está reduzindo o tempo necessário para executar muitas atividades, mas o valor está em transformar essa velocidade em capacidade. Mais capacidade para analisar, decidir, criar e resolver problemas.

*Ricardo Sanchez Copriva é Co-Founder e CTO da Kumulus, com mais de 25 anos de experiência em tecnologia e liderança de operações. Desde a fundação da empresa, atua na construção de soluções em cloud computing e na definição de estratégias que conectam inovação tecnológica à eficiência operacional. Lidera iniciativas de arquitetura multicloud, pré-vendas e transformação digital, apoiando grandes empresas na modernização de suas operações e na construção de modelos escaláveis de crescimento.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors