outubro 21, 2026

Decisões sob pressão unem aviação e negócios

Alex Frota, o Alex Bacana, do projeto Frotas Pelo Mundo

Após 182 dias de volta ao mundo solo, Alex Frota relaciona os dilemas da cabine às escolhas de quem lidera empresas e administra investimentos

Uma pane elétrica em pleno voo não permite esperar por todas as respostas. É preciso avaliar o que ainda funciona, quais alternativas estão disponíveis e quanto tempo há para agir. Esse dilema aproxima a tomada de decisão na aviação das escolhas nos investimentos e na gestão empresarial, em que adiar uma resposta também pode consumir recursos e reduzir as opções.

Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, é formado em Administração de Empresas e está à frente do Frotas Pelo Mundo, projeto que documentou sua volta ao mundo solo em monomotor pelos cinco continentes. Gestor de recursos, concluiu a expedição no Ceará em 12 de setembro de 2026. Segundo os dados fornecidos pelo projeto, a viagem durou 182 dias, percorreu 77 mil quilômetros, somou 297 horas de voo e teve pousos em 33 países. O relato da jornada inclui falhas elétricas, mudanças no clima e problemas de navegação que exigiram decisões sob pressão.

A dificuldade também aparece nos negócios. Pesquisa da consultoria PwC publicada em 4 de agosto de 2026, com 351 presidentes executivos de 59 países, mostrou que 27% relataram um aumento elevado ou muito elevado na dificuldade de tomar decisões sobre preços diante dos choques econômicos globais daquele ano. Outros 26% indicavam o mesmo grau de dificuldade na gestão das cadeias de abastecimento.

A trajetória no mercado financeiro permite ao administrador relacionar os limites do voo aos recursos de uma empresa. “A tomada de decisão sob pressão exige separar o que está confirmado, o que precisa ser verificado e o que não pode esperar. Uma informação que falta pode mudar completamente a escolha, enquanto outra pode ter pouca influência naquele momento. Na aviação, essa avaliação considera as condições do avião, o combustível e as alternativas de pouso. Na empresa, considera o caixa, os prazos e os compromissos assumidos. O critério é entender se esperar melhora a decisão ou apenas reduz as opções disponíveis”, afirma.

Cinco situações em que esperar também era um risco

Os imprevistos da expedição colocaram diferentes restrições à continuidade do percurso. Cada situação exigia considerar o problema imediato junto com as condições para chegar ao destino:

  1. O painel falha e o voo continua: uma pane elétrica exige identificar os sistemas afetados e os recursos disponíveis para manter o voo em segurança, mesmo antes de esclarecer a origem do problema.
  2. O destino permanece no mapa, mas o clima muda: a deterioração das condições meteorológicas pode tornar inadequado um trajeto planejado e exigir a avaliação de outro caminho.
  3. Sair de um problema pode levar a outro: mudar a rota pode evitar o mau tempo, mas aumentar a distância e o consumo de combustível. É preciso verificar se o avião consegue chegar a um aeroporto onde seja possível pousar com segurança.
  4. O combustível limita o tempo para decidir: buscar uma alternativa também consome autonomia. A demora pode reduzir as opções de chegada.
  5. A navegação deixa dúvidas sobre o caminho: dificuldades para confirmar a posição do avião exigem conferir as informações e avaliar quais recursos permitem orientar o voo.

O gestor de recursos usa a comparação para discutir o alcance da gestão de riscos. “Mudar a rota pode afastar o avião do mau tempo, mas aumentar a distância e o consumo de combustível. Por isso, você precisa avaliar se consegue sustentar a alternativa até o pouso. Nos negócios, a lógica é semelhante: trocar um fornecedor pode reduzir o preço e alongar a entrega; conceder um desconto pode manter a venda e comprometer a margem. Uma escolha precisa caber nos recursos disponíveis e preservar a capacidade de continuar operando”, explica.

Tomada de decisão exige saber quando rever o plano

A discussão sobre os 182 dias de percurso envolve disciplina operacional, definição de prioridades e capacidade de rever uma decisão. Esses pontos aproximam a experiência na cabine de um desafio da liderança: reconhecer quando o plano deixou de responder às condições da operação.

O piloto relaciona esse aprendizado à necessidade de organizar a reação a um imprevisto. “A disciplina operacional ajuda a conferir as informações e seguir uma sequência de avaliação. A definição de prioridades mostra o que precisa ser protegido primeiro. E a capacidade de rever uma decisão permite agir quando as condições mudam. Na liderança empresarial, essas três práticas precisam funcionar juntas. Se uma empresa perde um contrato, precisa medir o impacto sobre o caixa antes de assumir novas despesas. O plano anterior foi construído com uma expectativa de receita que mudou. Reconhecer isso a tempo permite corrigir a estratégia antes que os compromissos reduzam a margem de ação”, ressalta.

Sobre Alex Frota

Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA. Aos 53 anos, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa com a qual realizou a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes.

Fonte de pesquisa: PwC. CEO Survey Snapshot August 2026.

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