agosto 23, 2026

Design for People mira faturamento de R$ 1,7 milhão combatendo cultura tóxica em grandes corporações

HUMAN RESOURCES

O prejuízo de R$ 77 bilhões que o desengajamento crônico custa anualmente às empresas brasileiras — dado mapeado pela Flash em parceria com a FGV EAESP — abriu espaço para um novo modelo de consultoria corporativa no país. É explorando a raiz dessa ineficiência operacional que a Design for People, consultoria especializada em design organizacional com foco em cultura e desenvolvimento de pessoas, registrou um crescimento expressivo. Fundada em dezembro de 2023, a companhia encerrou o ano passado com faturamento de R$ 1,22 milhão (alta de 50%) e, amparada por uma carteira de clientes que já inclui marcas como Alpargatas, Cielo, Porto Seguro e Seguros Unimed, projeta atingir R$ 1,7 milhão neste ano.

A metodologia da companhia nasceu em 2018, a partir da pesquisa de mestrado do idealizador Bruno Pinta, focada em design organizacional com ênfase em cultura e desenvolvimento de pessoas. O que começou como uma tese acadêmica sobre eficiência operacional transformou-se em negócio escalável com a chegada, em 2023, das sócias Renata Correa, focada em cultura e saúde social, e Deborah Senne, focada em transformação de jovens talentos e design organizacional. O diferencial do trio está na própria trajetória: todos construíram carreiras sólidas em papéis de liderança no mundo corporativo antes de fundarem a consultoria.

A premissa da consultoria é tratar a cultura e as relações de trabalho não como um tema acessório de RH, mas como infraestrutura básica de negócios. A empresa estruturou uma metodologia em três etapas: um diagnóstico profundo para mapear gargalos invisíveis na operação; o redesenho customizado de fluxos e rituais de liderança; e a aplicação prática, substituindo palestras teóricas por imersões dinâmicas. Na Cielo, por exemplo, a DFP apoiou a criação da estratégia anual de desenvolvimento humano da empresa e o desenho de jornadas de aceleração de carreira e liderança para mais de 800 pessoas.

Para Bruno Pinta, idealizador da Design for People, o crescimento da consultoria reflete uma mudança urgente na agenda das lideranças. “Mudar as caixinhas do organograma ou oferecer benefícios superficiais de bem-estar não resolve o esgotamento das equipes. O estudo publicado no início de 2022 pela MIT Sloan Management Review já provou que uma cultura organizacional disfuncional pesa dez vezes mais na decisão de um talento pedir demissão do que o próprio salário. O nosso papel é traduzir isso em números para o C-Level”, explica o executivo.

Ainda segundo Pinta, a integridade da cultura interna deixou de ser uma métrica subjetiva de RH para se tornar valor de mercado e maturidade ESG. “O pilar colaboradores dentro de uma estratégia de impacto está conectado ao capital humano, à retenção, engajamento, bem-estar e capacitação. É começar a estratégia de negócio por meio das pessoas”, afirma.

Para o mercado, o movimento consolida a transição dessas consultorias de nicho: elas deixam de ser vistas como agências de treinamento para atuar como estrategistas de relações humanas com impacto direto em resultados. Em 2026, a Design for People fechou ainda uma parceria com a FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), que passa a oferecer descontos em cursos para clientes da consultoria.

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