Empresas americanas já integram IA a processos, decisões e negócios, e especialista aponta os principais aprendizados para o mercado brasileiro
São Paulo, agosto de 2026 – A inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta de inovação para se tornar parte da operação de empresas que buscam ganhos de produtividade, eficiência e competitividade. No Vale do Silício, onde novas aplicações de IA são testadas diariamente, o movimento mais relevante não está apenas na adoção de ferramentas generativas, mas na integração da tecnologia aos processos e à estratégia dos negócios.
Para Gabriel Cunha, especialista em inteligência artificial na Oracle e profissional que atua no ecossistema de tecnologia do Vale do Silício, um dos principais aprendizados é que a implementação bem-sucedida de IA começa pela identificação de problemas concretos. “As empresas que estão conseguindo gerar valor com IA não começam perguntando qual ferramenta querem usar, mas qual problema precisam resolver. A tecnologia entra como meio para melhorar uma operação, apoiar uma decisão ou criar uma experiência que antes não era possível”, afirma.
Outro ponto observado no mercado americano é a mudança na relação entre IA e força de trabalho. Em vez de substituir indiscriminadamente profissionais, muitas empresas estão utilizando a tecnologia para automatizar tarefas repetitivas e ampliar a capacidade das equipes, permitindo que os colaboradores dediquem mais tempo a atividades estratégicas, criativas e que exigem julgamento humano. Essa transformação também aumenta a necessidade de capacitação e de uma cultura organizacional preparada para trabalhar com sistemas inteligentes.
Segundo Cunha, o diferencial competitivo tende a estar menos no acesso à tecnologia e mais na capacidade de incorporá-la ao cotidiano da empresa. “Hoje, praticamente qualquer organização pode acessar modelos avançados de IA. O que vai diferenciar uma empresa da outra é a capacidade de transformar esse acesso em resultado, com processos bem definidos, dados de qualidade, segurança e pessoas preparadas para trabalhar junto com a inteligência artificial”, explica.
Para o especialista, a principal lição do Vale do Silício para as empresas brasileiras é evitar a corrida pela tecnologia partindo da tecnologia. A tendência é que a IA avance de projetos isolados para aplicações cada vez mais integradas às operações, ao atendimento, à análise de dados e à tomada de decisões. Nesse cenário, empresas que começarem a experimentar de forma estruturada, medir resultados e ampliar as iniciativas que funcionam estarão mais preparadas para a próxima etapa da transformação digital.
Sobre Gabriel Cunha
Gabriel Cunha é especialista em inteligência artificial na Oracle e atua no ecossistema de tecnologia do Vale do Silício, acompanhando de perto a evolução e a aplicação prática da IA nos negócios. Com experiência em tecnologia e inovação, trabalha na conexão entre inteligência artificial, transformação digital e futuro do trabalho, ajudando a traduzir as principais tendências do setor para empresas e profissionais.