setembro 4, 2026

Do marketing à linha de produção, IA avança nas montadoras e transforma a indústria automotiva

Mateus Miranda, CIO da IRRAH Tech

Casos recentes de Volkswagen, BMW e Stellantis mostram como a IA já está redesenhando a indústria global

Quem viu a Volkswagen recriar, com o auxílio da inteligência artificial, um encontro entre Elis Regina e Maria Rita durante as comemorações de seus 70 anos no Brasil certamente reagiu com um “uau”. Após três anos, ações como essa se tornaram comuns.

Para Matheus Miranda, CIO da IRRAH Tech, o episódio ajuda a ilustrar uma mudança mais ampla. “O que para muitos parece apenas uma ação de marketing é, na verdade, um reflexo da forma como a inteligência artificial vem sendo incorporada às operações das empresas. Trata-se de uma transformação estrutural que já impacta diferentes setores da economia, incluindo o automotivo”, afirma.

Nos últimos meses, a própria Volkswagen anunciou o uso da tecnologia em áreas que vão desde assistentes virtuais embarcados até sistemas avançados de direção automatizada. Já a BMW anunciou o início de projetos para utilização de robôs humanoides apoiados por inteligência artificial em suas linhas de produção na Europa, e a Stellantis (dona de marcas como Jeep, Fiat, Peugeot e Citroën) firmou uma parceria estratégica de cinco anos com a Microsoft para desenvolver mais de uma centena de iniciativas baseadas em inteligência artificial.

No Brasil, a inteligência artificial já começa a ser vista menos como uma ferramenta e mais como uma camada essencial da infraestrutura que sustenta os negócios. Uma pesquisa conduzida pela Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) mostrou que 82,5% dos CEOs e executivos entrevistados classificam a IA como relevante para seus negócios.

A “Pesquisa Inteligência Artificial Aplicada à Estratégia”, realizada com mais de 100 líderes de empresas brasileiras e multinacionais distribuídas em 20 setores da economia, revela, porém, um paradoxo: embora a maioria das organizações reconheça a importância estratégica da tecnologia, 43,3% destinam menos de 1% de seus orçamentos para iniciativas de inteligência artificial, e 42,7% apontam a falta de conhecimento especializado como principal barreira para avançar na adoção da tecnologia.

“Esse cenário ajuda a explicar uma característica cada vez mais presente nas empresas brasileiras: muitas reconhecem o valor da inteligência artificial, mas ainda não possuem estrutura, equipe ou orçamento para desenvolver soluções proprietárias. A adoção, portanto, tende a acontecer por meio de plataformas já prontas, capazes de conectar IA aos processos de negócio sem exigir grandes estruturas internas de desenvolvimento”, diz Miranda.

Ele cita como exemplo o GPT Maker, desenvolvido pela IRRAH, uma plataforma que permite criar agentes de inteligência artificial treinados com informações específicas de cada negócio. As empresas podem alimentar o sistema com documentos, manuais, políticas internas, catálogos de produtos, perguntas frequentes e bases de conhecimento próprias para que a IA responda de forma contextualizada. A solução também se integra a canais como WhatsApp, Instagram, TikTok, sites, CRMs e APIs corporativas.

“Em vez de aplicações isoladas, como chatbots básicos ou automações restritas a tarefas repetitivas, a inteligência artificial passa a ser incorporada diretamente ao núcleo das operações. Isso significa atuar sobre fluxos inteiros, cruzar dados de diferentes áreas e influenciar decisões com base em contexto, histórico e comportamento, sem rupturas na jornada”, afirma o executivo. “Nesse estágio de maturidade, compreender a IA apenas como uma ferramenta é insuficiente. Agora, será preciso enxergá-la como um elemento fundamental da arquitetura digital, capaz de reconfigurar não apenas processos, mas a própria lógica de funcionamento do mercado”, conclui.

Sobre a IRRAH Tech: irrahtech.com

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