fevereiro 17, 2026

ECONOMIA & NEGÓCIOS | “O marketing de verdade tem poder até para demitir”: A visão implacável de Matheus Fogaça

O estrategista do Grupo Holding defende que o marketing é a inteligência central de uma empresa, com autoridade para intervir no comercial e auditar o RH. “Se a conta não fecha, o erro pode estar em quem opera, e o marketing é o primeiro a ver.”

Matheus Fogaça – CEO Grupo Holding


A Entrevista

Jornalista: Matheus, você afirma que o marketing é o braço direito do empresário. Mas você vai além: diz que ele tem autoridade sobre outros setores, como o Comercial e o RH. Isso não é avançar demais o sinal?

Matheus Fogaça: Pelo contrário, é ocupar o lugar de direito. O marketing de base vê o que o RH não consegue ver. Se o marketing está sendo bem feito — e aqui não falo de “postinho”, falo de estratégia — ele expõe os gargalos do negócio. Se eu trago a demanda qualificada e o Comercial não converte, ou se o atendimento é medíocre, o marketing é o primeiro a detectar que o problema é humano. Se for necessário demitir alguém porque o processo está sendo sabotado na ponta, o marketing tem que ter essa autonomia. É o braço direito do dono. Se o braço vê que o corpo está doente, ele avisa e corta o mal pela raiz.

Jornalista: Você está dizendo que um estrategista de marketing pode sugerir a reformulação de uma equipe inteira?

Matheus Fogaça: Se for necessário contratar tudo de novo para o jogo funcionar, que assim seja. O marketing de base é auditoria. Muitas vezes a empresa acha que o problema é “falta de venda”, mas o marketing mostra que o problema é a equipe que não entende o produto ou não tem cultura de processo. Eu sei que o mercado de marketing ainda não está pronto para essa conversa de demissão. É uma conversa profunda demais para quem não tem a base. Os “meninos do digital” se assustam com isso porque eles só querem fazer o post; eu estou aqui pelo lucro da operação. Cada um pensa o que quiser, mas eu olho para onde o dono da empresa olha: para o caixa.

Jornalista: Essa visão “antiguru” e focada em processos pesados deve incomodar muita gente, especialmente os gestores de tráfego e agências tradicionais…

Matheus Fogaça: Eu sei que vou arrumar treta. O gestor de tráfego hoje se acha o dono da estratégia porque sabe ler uma métrica de campanha, mas ele não entende o principal. Ele não entende de gente, não entende de fluxo de caixa e não entende de base. Ele olha para o clique; eu olho para o gargalo que impede o clique de virar dinheiro. Eu passei 6 anos estudando isso. Já fiz todos os cursos de 2 dias que você imaginar e cansei de ver o empresário sendo enganado por agência que entrega “feed bonitinho” enquanto a empresa morre.

Jornalista: Seu projeto não é curso, não é mentoria e nem faculdade. O que o mercado pode esperar de você nas palestras?

Matheus Fogaça: Não quero habilitar ninguém com diploma que não vale nada. Quero dar a Base. Quero pegar o cara que usa o iPhone e o CapCut e ensinar ele a ser o consultor que o empresário precisa para não quebrar. Não sou o melhor do mundo, mas até agora o mercado não me provou que existe alguém com essa visão de base aplicada na prática como eu faço. O meu papel é mudar a perspectiva: marketing não é despesa, é a inteligência que decide se o comercial fica ou se o comercial sai. A conversa é muito mais profunda do que o digital mostrou até agora.

Jornalista: Matheus, você toca em um ponto sensível: a demissão. Como um profissional de marketing chega para um dono de empresa e diz que o problema não é o anúncio, mas sim o vendedor ou o gerente de operações?

Matheus Fogaça: Com dados e coragem. O mercado de marketing se acostumou a ser “bonzinho”, a ser o setor que faz a festa e as artes. Eu não. O marketing de base é auditoria pura. Se eu coloco 500 leads qualificados no comercial e a taxa de conversão é zero, o problema não é o tráfego. Eu vou lá, escuto a ligação, vejo o CRM e aponto o dedo: “Esse cara aqui está queimando o seu dinheiro”. O marketing de verdade vê o que o RH ignora porque o marketing está no campo de batalha. Se a peça está estragada, tem que trocar. O mercado não está pronto para essa conversa de demissão porque a maioria dos profissionais de marketing tem medo de assumir a responsabilidade pelo lucro. Eu olho para o caixa; se alguém está no caminho entre o marketing e o lucro, essa pessoa precisa sair.

Jornalista: Você diz que estudou isso por 6 anos e já passou pelo caminho dos gurus. O que foi o “divisor de águas” para você perceber que o modelo atual era uma farsa?

Matheus Fogaça: Foi ver empresário quebrando com o feed do Instagram impecável. Ali eu entendi que o digital vendeu uma ilusão técnica. O cara faz um curso de 2 dias, aprende a editar no CapCut, compra um iPhone e sai dizendo que “faz marketing”. Isso é uma ofensa à profissão. Eu vi agências cobrando fortunas para postar 3 vezes por semana, enquanto o dono da empresa não sabia se teria dinheiro para a folha de pagamento do mês seguinte. O divisor de águas foi perceber que ninguém estava ensinando a Base. Estão ensinando a ferramenta, mas a ferramenta sem estratégia é só um jeito mais rápido de gastar dinheiro.

Jornalista: Muitos gestores de tráfego se dizem “estrategistas”. Qual a diferença real entre o que eles fazem e o que você propõe?

Matheus Fogaça: O gestor de tráfego é o cara que olha para o painel. Ele sabe ler métrica, mas não sabe ler o negócio. Ele comemora o custo por clique baixo, mas não sabe se aquele clique tem dinheiro no bolso ou se a oferta da empresa é um lixo. A diferença é que o marketing de base não começa no Gerenciador de Anúncios; ele começa no modelo de negócio, na precificação, na oferta e no gargalo operacional. O gestor de tráfego médio é um passageiro; o que eu formo é o cara que assume o volante. Se você só sabe ler gráfico e não entende de gente e de processo, você é substituível por qualquer IA.

Jornalista: Você fala que seu projeto não é faculdade nem curso. Como você define esse movimento que está nascendo no Grupo Holding?

Matheus Fogaça: É um movimento de retomada. É para o jovem que quer ser valorizado e para o empresário que quer parar de ser enganado. Não quero dar diploma para ninguém pendurar na parede e continuar passando fome. Eu quero dar a capacidade de o cara sentar na mesa com um CEO e explicar por que a empresa dele está estagnada. Não é sobre “como fazer um post”, é sobre “como o marketing vai salvar o seu negócio”. É uma formação 360º que o mercado ainda não viu porque dá trabalho. Guru não quer dar trabalho, quer vender facilidade. Eu entrego a base, e a base é pesada.

Jornalista: Para quem está começando agora com um celular na mão e vontade de trabalhar: qual o seu recado? Você acha que eles estão sendo enganados?

Matheus Fogaça: Estão sendo levados ao matadouro. Estão achando que o iPhone e o domínio de uma ferramenta os tornam profissionais. O meu recado é: a ferramenta não te habilita a nada. Ela só te torna um operário. Se você quer evoluir e não ser apenas o “carinha do vídeo” ou o “carinha do post”, você precisa da Base. Você precisa entender o que acontece antes de abrir o aplicativo. Eu não busco agradar esses jovens que querem dinheiro fácil; eu busco aqueles que entenderam que marketing é o braço direito do empresário e que estão dispostos a carregar essa responsabilidade.

Jornalista: E para os seus concorrentes e para as agências que você está criticando, o que você diz?

Matheus Fogaça: Que continuem fazendo o que estão fazendo. O mercado vai se encarregar de filtrar. Eu não sou o melhor do mundo, mas até agora ninguém me provou que eu não sou o melhor nessa entrega de Base estratégica. Enquanto eles focam em qual é a “trend” da semana, eu foco em qual é o gargalo que impede o lucro. A treta está só começando, e eu não vim para pedir licença.

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