outubro 13, 2026

Erros tributários podem drenar o caixa das empresas

Tributo Certo

A Receita Federal identificou R$ 299,09 milhões em divergências de PIS e Cofins de 3.455 empresas em uma nova edição da Malha Fiscal Digital, divulgada em 27 de agosto. O cruzamento eletrônico encontrou diferenças entre os débitos declarados pelas companhias e os valores apurados na escrituração fiscal.

Para quem não corrigir as inconsistências até 30 de outubro, a fiscalização poderá resultar na cobrança dos valores, acrescidos de juros e multa de ofício de 75%. O episódio chama atenção para erros tributários que nem sempre aparecem de forma clara nos demonstrativos financeiros, mas podem consumir recursos que fariam diferença no capital de giro, nos investimentos e na margem das empresas.

Alexandre Campos, advogado tributarista, sócio e diretor jurídico da Tributo Certo, empresa especializada em inteligência tributária, contabilidade estratégica e recuperação de créditos fiscais, afirma que o impacto financeiro não começa necessariamente com uma autuação. “Erros tributários podem permanecer durante meses dentro da operação, seja em uma apuração inadequada, em uma classificação incorreta ou na falta de revisão dos procedimentos fiscais. Quando isso acontece, o caixa pode estar financiando uma ineficiência sem que a empresa consiga identificá-la no resultado”, afirma.

Erros tributários podem nascer dentro da própria operação

A ação da Receita ajuda a dimensionar esse risco. As inconsistências foram encontradas por meio da comparação de informações que as próprias empresas haviam enviado ao Fisco. Na edição anterior da mesma iniciativa, 75% dos 3.062 contribuintes comunicados corrigiram as divergências. Entre aqueles que não realizaram a regularização, os lançamentos efetuados pela Receita chegaram a R$ 750 milhões.

O dado reforça uma mudança importante na gestão fiscal. Com informações contábeis e tributárias cruzadas eletronicamente, diferenças entre escrituração, declaração e recolhimento podem ser identificadas antes mesmo de uma fiscalização presencial. Por isso, a revisão precisa alcançar desde cadastros e parametrizações dos sistemas até bases de cálculo, enquadramentos, créditos e procedimentos adotados mensalmente.

Marcio Lopes, empresário, fundador e CEO da Tributo Certo, avalia que olhar apenas para receitas e despesas tradicionais pode limitar o diagnóstico financeiro. “Quando o caixa fica abaixo do esperado, o empresário costuma procurar a resposta em vendas, custos ou inadimplência. Só que o planejamento tributário também precisa entrar nessa conta. Um recolhimento inadequado, um crédito não aproveitado ou uma decisão fiscal que deixou de ser revisada pode comprometer dinheiro que deveria permanecer dentro da operação”, afirma.

Reforma Tributária amplia a necessidade de planejamento

A discussão ganha peso adicional em 2026. Segundo a Receita Federal, este é o ano-teste da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). As alíquotas de teste são de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, com compensação dos valores recolhidos com PIS e Cofins no mesmo período de liquidação, conforme as regras previstas para a transição.

A Reforma Tributária do Consumo substituirá gradualmente tributos atuais e mudará a lógica de apuração ao longo dos próximos anos. PIS e Cofins serão extintos em 2027, enquanto a transição de ICMS e ISS para o IBS ocorrerá entre 2029 e 2032. A implantação completa do novo modelo está prevista para 2033, segundo o cronograma oficial da Receita Federal.

Para Rafael Rocha, administrador de empresas, cofundador e executivo comercial da Tributo Certo, a mudança exige que a discussão fiscal chegue também às áreas comercial e financeira. “Erros tributários afetam mais do que o valor pago ao Fisco. Eles podem distorcer margem, formação de preço, rentabilidade de contratos e projeção de caixa. Com a Reforma Tributária em transição, o planejamento tributário precisa fazer parte da tomada de decisão, e não aparecer apenas depois que um problema já chegou ao financeiro”, afirma.

O custo que não aparece como uma nova despesa

Parte da dificuldade está justamente na forma como essas perdas se apresentam. Uma empresa pode manter faturamento, cumprir suas obrigações e, ainda assim, carregar distorções fiscais dentro da rotina. O efeito pode aparecer como redução da margem, menor disponibilidade financeira ou necessidade crescente de capital de giro, sem que a origem seja imediatamente associada à tributação.

A revisão periódica do regime adotado, das bases de cálculo, dos créditos utilizados, dos cadastros e da integração entre informações fiscais, contábeis e financeiras permite identificar onde estão as diferenças. O objetivo não é apenas reduzir tributos, mas verificar se a empresa está pagando corretamente, aproveitando possibilidades previstas em lei e evitando a formação de passivos.

Sobre a Tributo Certo

Empresa brasileira especializada em inteligência tributária, contabilidade estratégica e recuperação de créditos fiscais, com mais de R$ 1 bilhão em créditos tributários recuperados. Atua na identificação de inconsistências fiscais, revisão de tributos pagos indevidamente e desenvolvimento de estratégias para redução de passivos e ganho de eficiência financeira.

Fontes: Receita Federal (Reforma Tributária do Consumo; regularização de divergências de PIS e Cofins, agosto de 2026).

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