setembro 5, 2026

Estimativa aponta R$ 15,8 bilhões retidos por glosas na saúde suplementar

Gilson França, CEO da Weega Technologies

Problema é global e integra lista de ineficiências destacadas pela OCDE na saúde; entidade recomenda aprimorar gestão, governança e sistemas de informação

Bilhões de reais podem estar ficando presos em disputas administrativas entre hospitais e operadoras de saúde no Brasil. No primeiro trimestre de 2025, os hospitais associados à Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) registraram um índice recorde de 17% de glosas — cobranças contestadas ou recusadas pelas operadoras antes do pagamento. A alta reforça uma tendência observada nos últimos anos: o indicador era de 11,89% em 2023 e subiu para 15,89% em 2024. Apenas entre os associados da entidade, as glosas representaram cerca de R$ 4,72 bilhões em receitas questionadas.

Considerando as despesas de R$ 92,9 bilhões da saúde suplementar no período, estimativas apontam que o volume potencialmente retido poderia alcançar R$ 15,8 bilhões. O avanço do problema fez a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) criar um painel nacional para acompanhar indicadores de glosa.

As glosas hospitalares ocorrem quando os planos de saúde recusam o pagamento de atendimentos devido a erros em processos manuais ou burocráticos, e teriam causado um impacto de R$ 5,8 bilhões no fluxo de caixa das instituições privadas no último ano, segundo a Anahp.

O desafio não é exclusivo do Brasil: em estudo da OCDE, estima-se que até 20% dos gastos em saúde nos países desenvolvidos estejam associados a desperdícios, ineficiências operacionais e falhas administrativas.

“Quando olhamos para esse volume de glosas, fica claro que o setor não está lidando apenas com falhas pontuais, mas com um problema estrutural no ciclo de faturamento. Estamos falando de bilhões de reais que deixam de entrar no caixa dos hospitais, muitas vezes por inconsistências evitáveis”, afirma Gilson França, CEO da Weega Technologies.

Segundo projeções da consultoria Grand View Research, o mercado brasileiro de automação para a saúde deverá alcançar US$ 2,11 bilhões até 2030. Um exemplo dessa automação é o Faturamento Digital | Yantra BOT, da Weega Technologies, que atua na automação do fechamento de contas hospitalares, identificando inconsistências antes do envio às operadoras.

“A tecnologia é o suporte que garante que os recursos sejam aplicados de forma eficiente. Quando automatizamos processos críticos como o faturamento, reduzimos desperdícios, aumentamos a segurança operacional e permitimos que os hospitais concentrem seus esforços naquilo que realmente importa”, conclui França.

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