junho 13, 2026

Estudo aponta que Brasil precisa ir além dos pilotos de IA para não perder competitividade global

Relatório mostra que empresas que incorporam inteligência artificial em todo o ciclo operacional já obtêm ganhos expressivos de produtividade, velocidade e qualidade

A inteligência artificial está entrando em uma nova fase dentro das empresas. Se nos últimos anos a tecnologia foi utilizada principalmente em iniciativas isoladas e projetos-piloto, agora as organizações mais avançadas começam a incorporá-la diretamente em seus modelos operacionais. A avaliação é da Dexian, uma das maiores empresas globais de tecnologia, staffing e transformação digital, que acaba de divulgar seu Relatório de Tendências Tecnológicas do segundo trimestre de 2026.

Segundo o estudo, a principal mudança observada no mercado não está apenas na adoção de ferramentas de IA, mas na criação de operações inteiras orientadas por inteligência artificial, nas quais agentes inteligentes participam de todas as etapas dos processos de negócio, desde a prospecção comercial até o suporte pós-implantação.

Para Antonio José de Freitas, CEO da Dexian Brasil, o Brasil vive um momento decisivo nessa transformação: “Muitas empresas brasileiras já compreenderam o potencial da inteligência artificial e iniciaram experimentações importantes. O próximo desafio é transformar essas iniciativas em ganhos estruturais de produtividade e competitividade. A diferença entre os líderes e os demais participantes do mercado será determinada pela capacidade de integrar a IA aos processos centrais da organização”, afirma.

Segundo o executivo, o país reúne condições favoráveis para acelerar esse movimento. O Brasil possui um dos maiores mercados de tecnologia da América Latina, profissionais altamente qualificados e uma crescente relevância internacional em operações digitais e serviços de tecnologia exportados para outros países.

“Hoje, acompanhamos empresas brasileiras prestando serviços para mercados globais altamente competitivos. Nesse cenário, eficiência operacional, velocidade de entrega e capacidade de inovação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos. A inteligência artificial surge como uma das principais alavancas para alcançar esse novo patamar”, diz o executivo.

Da automação pontual à operação inteligente

O relatório da Dexian mostra que empresas líderes em tecnologia já estão adotando uma abordagem mais ampla para a inteligência artificial. Em vez de utilizar ferramentas separadas para tarefas específicas, elas constroem fluxos integrados nos quais agentes de IA atuam de forma coordenada ao longo de toda a cadeia de entrega.

Os resultados começam a aparecer em indicadores concretos. Entre os casos analisados pela companhia, houve redução do ciclo de elaboração de propostas comerciais de meses para poucos dias, aumento da precisão das previsões de negócios e diminuição significativa do tempo gasto em atividades administrativas e documentais.

Em algumas iniciativas, a utilização de agentes inteligentes reduziu em até 60% o tempo necessário para o levantamento de requisitos e produção de documentação de projetos, permitindo que profissionais direcionassem mais energia para atividades estratégicas e de relacionamento com clientes.

A tendência também avança sobre áreas tradicionalmente complexas, como desenvolvimento de software, testes, governança, gestão de projetos, suporte técnico e modernização de sistemas legados.

Uma oportunidade para o Brasil

Na avaliação da Dexian, a adoção estruturada da IA pode representar uma oportunidade estratégica para o Brasil ampliar sua participação na economia digital global. Nos últimos anos, o país consolidou sua posição como um importante polo de serviços de tecnologia, especialmente em operações nearshore voltadas ao mercado norte-americano. Nesse contexto, a incorporação da inteligência artificial aos processos produtivos pode elevar ainda mais a competitividade das empresas nacionais.

“O Brasil possui talento, capacidade técnica e experiência em projetos complexos. O que estamos observando é que a inteligência artificial permite ampliar a escala dessas operações sem exigir crescimento proporcional das equipes. Isso cria uma oportunidade importante para empresas brasileiras competirem em mercados cada vez mais exigentes”, afirma Freitas.

O executivo ressalta, porém, que o avanço da automação exige investimentos em qualificação profissional, governança e gestão de mudanças: “O futuro não será definido por organizações que substituem pessoas por tecnologia, mas por aquelas que conseguem combinar inteligência humana e inteligência artificial de forma eficiente. A IA executa tarefas, processa informações e identifica padrões. As pessoas continuam responsáveis pelas decisões estratégicas, pela inovação e pela construção de relacionamentos.”

Vantagem competitiva acumulativa

O estudo conclui que as empresas que iniciarem agora a transformação de seus processos terão uma vantagem competitiva crescente nos próximos anos. Isso porque os sistemas de IA aprendem continuamente com cada projeto executado, cada entrega realizada e cada problema resolvido.

Para a Dexian, o diferencial competitivo deixará de estar apenas nas ferramentas utilizadas e passará a depender da capacidade das organizações de construir operações integradas, escaláveis e orientadas por inteligência artificial.

“A pergunta já não é mais se a inteligência artificial fará parte das empresas, mas qual será o grau de integração dessa tecnologia ao modelo operacional de cada organização. Quem começar essa jornada agora estará construindo uma vantagem difícil de ser replicada no futuro”, conclui Antonio José de Freitas.

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