agosto 25, 2026

Estudo IBM: 23% dos bancos brasileiros veem a tokenização como estratégica, mas poucos estão prontos para implementá-la em 2026

Carlos Rivelle, Vice-Presidente da IBM Consulting para a América Latina

Apesar do otimismo em relação à tecnologia, um novo estudo revela que as instituições bancárias no Brasil ainda não alcançaram a média global de preparação; desafios de interoperabilidade e sistemas legados continuam sendo as principais barreiras

São Paulo, 24 de agosto de 2026 — O sistema financeiro global está passando por uma transformação decisiva impulsionada pela tokenização de ativos, moedas digitais e Inteligência Artificial (IA) agêntica. No entanto, os bancos brasileiros, embora reconheçam a importância estratégica dessa mudança, estão atrasados na implementação prática. Um estudo do IBM Institute for Business Value revelou que, enquanto 23% dos executivos bancários no Brasil afirmam que a tokenização é central para sua direção estratégica, apenas 8% dizem que suas iniciativas já estão em operação ou prontas para serem lançadas em 2026. A média global é de 9%.

O estudo, intitulado “2026 Global Outlook for Banking and Financial Markets“, entrevistou 500 executivos dos setores bancário e de pagamentos em mais de 25 países, incluindo o Brasil. O relatório mostra que a tokenização está redefinindo a estratégia do setor, mas a maturidade desigual em IA e a dificuldade de modernizar sistemas legados estão ampliando a distância entre instituições líderes e retardatárias.

“Liderança na economia tokenizada, combinada com jornadas de IA agêntica, está redefinindo prioridades no setor financeiro. As instituições que modernizarem suas plataformas e acelerarem a adoção de ativos digitais estarão mais bem posicionadas para liderar a próxima geração de serviços financeiros”, afirma Carlos Rivelle, Vice-Presidente da IBM Consulting para a América Latina.

Tokenização no Brasil: otimismo estratégico vs. desafios práticos

Os executivos brasileiros estão alinhados com a tendência global, mas apresentam diferenças importantes. A principal barreira para o crescimento da indústria de ativos digitais no Brasil, citada por 65% dos entrevistados locais, é a falta de interoperabilidade. Esse índice é superior à média global de 59% e representa o desafio mais significativo apontado pelos respondentes brasileiros.

Outros destaques do estudo para o Brasil incluem:

  • IA e tokenização andam de mãos dadas: para 58% dos executivos no Brasil (vs. 61% globalmente), a tokenização terá um impacto forte ou crítico na viabilização da interoperabilidade entre diferentes plataformas de IA. Além disso, 46% dos executivos (vs. 57% globalmente) acreditam que a IA agêntica impactará significativamente os canais programáveis de liquidação.
  • O futuro do dinheiro: 38% dos executivos brasileiros acreditam que as Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs) poderão substituir os arranjos tradicionais de cartões, ligeiramente acima da média global de 35%. Por outro lado, 58% dos respondentes brasileiros esperam uma adoção forte ou transformacional de stablecoins por grandes corporações até 2030, muito acima da média global de 42%.
  • Segurança quântica é essencial: no Brasil, 92% dos executivos (vs. 89% globalmente) concordam que a criptografia segura contra ameaças quânticas (quantum-safe) será crítica para a confiança e a escalabilidade dos ecossistemas tokenizados.

O paradoxo da modernização

Apesar da clareza sobre o futuro, a execução continua sendo o maior obstáculo. Globalmente, os executivos classificam a inadequação dos sistemas centrais legados (core systems) como a principal limitação para as iniciativas de tokenização. O estudo reforça descobertas anteriores da IBM que mostram que 94% dos projetos de modernização de core banking não cumprem seus prazos originais devido à complexidade técnica e a custos imprevistos.

“O sistema financeiro está diante de uma encruzilhada. As instituições que conseguirem modernizar seus sistemas, integrar IA de forma estratégica e adotar a tokenização não apenas sobreviverão, como liderarão a próxima geração de serviços financeiros. Aquelas que adiarem essas decisões ficarão para trás, competindo em um mercado que já mudou”, conclui Rivelle.

Sobre o estudo

O IBM Institute for Business Value, em colaboração com a Oxford Economics, conduziu um estudo global no quarto trimestre de 2025, entrevistando 500 executivos seniores dos setores bancário e de pagamentos como parte do programa de pesquisa Global Outlook for Banking and Financial Markets. A amostra incluiu 43 executivos da América Latina, dos quais 26 estavam no Brasil, distribuída de forma equilibrada entre cinco grandes segmentos da indústria: banco de varejo, banco comercial, banco corporativo, gestão de ativos e patrimônio, e redes e processadoras de pagamentos.

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