setembro 2, 2026

Expansão das Instituições Financeiras Digitais aumentou o PIB brasileiro em R$ 1,6 trilhão entre 2016 e 2026

Eduardo Lopes, presidente da Zetta, no lançamento do estudo, durante o Zetta Summit

Estudo do Reglab encomendado pela Zetta mostra que os bancos digitais impulsionaram a economia do país por meio da maior concorrência bancária e da redução de custos, o que elevou o consumo das famílias

A ascensão das Instituições Financeiras Digitais (IFDs) transformou a estrutura do setor bancário e se consolidou como um vetor de crescimento macroeconômico no Brasil. Um estudo produzido pelo Reglab, centro de pesquisa especializado no setor de mídia e tecnologia, encomendado pela Zetta, revela que a expansão dessas instituições foi responsável por um diferencial acumulado de aproximadamente R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro (a preços de 2026) entre os anos de 2016 e o primeiro trimestre de 2026. O montante gerado equivale ao PIB anual de países como o Chile ou a Colômbia.

Para mensurar o real impacto da digitalização financeira à economia, o Reglab utilizou um Modelo Dinâmico Estocástico de Equilíbrio Geral (DSGE), ferramenta amplamente utilizada por Bancos Centrais. A análise foi alimentada com dados históricos brasileiros para projetar um cenário contrafactual — ou seja, simulou um cenário no qual os bancos digitais não existiam.

“Os avanços dos últimos dez anos são resultado de escolhas regulatórias que apostaram na inovação e competição, como o Pix, o Open Finance e portabilidades. O estudo mostra que o ganho desta agenda não ficou restrito a quem migrou para instituições digitais. A concorrência gerou efeito direto em tarifas e juros no sistema inteiro”, destaca Eduardo Lopes, presidente da Zetta e um dos moderadores do Zetta Summit, evento em Brasília (DF) que lançou o estudo.

A análise apontou que, sem a atuação das instituições digitais no Brasil, o PIB do primeiro trimestre de 2026 seria cerca de 2,2% menor em termos reais. Os dados do estudo mostram ainda que os ganhos de eficiência da economia impactaram diretamente o orçamento das famílias e a atividade produtiva:

  • Consumo das famílias: gerou um diferencial acumulado de R$ 982 bilhões no período;
  • Investimento agregado: seria cerca de R$ 371 bilhões menor em um cenário sem a presença das IFDs;
  • Economia com juros: cidadãos e empresas economizaram R$ 102 bilhões acumulados no crédito livre;
  • Economia com tarifas bancárias: totalizou R$ 47 bilhões acumulados.

Pressão competitiva e benefício amplo

A pesquisa do Reglab identificou que o principal motor desses ganhos macroeconômicos foi o aumento da concorrência no setor, historicamente muito concentrado em poucos grandes bancos. A pressão exercida pela entrada das IFDs forçou as instituições tradicionais a reduzirem suas margens e custos transacionais.

“Um ponto relevante do estudo é a percepção de que o efeito positivo sobre o PIB gerado pelas IFDs não se explica somente pela migração de clientes para o digital. Ele se explica pela reação competitiva no segmento bancário tradicional, com revisão de tarifas, margens e taxas de juros, com benefício na ponta, para as famílias e para as empresas”, destaca Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta.

O diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos, reforça que a digitalização financeira tem um efeito estrutural. “É uma transformação que não aparece apenas como substituição de agências por aplicativos nem como simples conveniência para consumidores. Ao aumentar a eficiência do sistema financeiro, ampliar alternativas de crédito a pessoas e empresas, e pressionar margens bancárias, as IFDs influenciaram o consumo das famílias e o investimento por parte das empresas”, explica.

Evidência para políticas públicas

Os resultados indicam que agendas de estímulo à competitividade — como o estímulo à entrada de instituições no sistema financeiro, o avanço do Open Finance, a criação e o desenvolvimento do Pix, e as portabilidades de crédito, dados e salários — atuam como potentes instrumentos de bem-estar social e crescimento econômico.

Os dados do estudo revelam uma mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. A concentração de mercado passou a cair de forma consistente a partir de 2017, período em que começou a expansão das instituições financeiras digitais.

“Novos competidores digitais puderam se desenvolver com espaço para contestação, inovação e redução de custo. O desafio daqui para frente é desenhar regras capazes de preservar os ganhos econômicos e sociais da competição digital, sem ignorar os riscos que surgem quando crédito, pagamentos, dados e decisões automatizadas passam a operar em escala e velocidade maiores”, explica Pedro Henrique Ramos.

Sobre a Zetta: associação sem fins lucrativos fundada por empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros digitais, com 35 associadas.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors