Avisos enviados pelo DET fazem parte de uma estratégia que combina análise de informações e direcionamento das ações fiscais
A fiscalização trabalhista está usando cada vez mais dados para identificar possíveis irregularidades antes mesmo de uma ação fiscal presencial. Em uma das iniciativas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 7,3 mil empresas receberam avisos pelo Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) após serem identificados indícios de jornadas acima dos limites legais.
O resultado aparece no Relatório de Gestão Integrado do MTE, divulgado em 2026. Os avisos tiveram caráter preventivo: a intenção era dar transparência aos achados preliminares e estimular a regularização antes do aprofundamento da fiscalização.
Para as empresas, o movimento aumenta a importância de manter registros de jornada organizados e conectados aos demais processos de gestão. Soluções como o MarQ HR entram nesse contexto ao reunir diferentes informações trabalhistas em um mesmo ambiente.
Fiscalização encontra mais irregularidades
O envio de alertas não é uma ação isolada. O Grupo Especial de Fiscalização de Jornada e Salário identificou 3,34 mil irregularidades relacionadas a jornada e descanso, resultado cerca de 54% superior ao registrado no período anterior analisado pelo ministério.
Em outra frente, uma operação nacional voltada a jornada e salário elevou de 34,56% para 70,48% o índice de irregularidades detectadas. Segundo o MTE, a estratégia combinou aprimoramentos tecnológicos e metodológicos com uma atuação orientada por risco, direcionando os auditores para situações com maior probabilidade de descumprimento.
A mudança ajuda a explicar por que o controle de jornada deixou de ser apenas uma questão de registrar horários de entrada e saída. Quando diferentes informações podem ser cruzadas para apontar inconsistências, a qualidade e a rastreabilidade dos registros passam a ter peso também diante de uma eventual fiscalização.
DET coloca empresa diante de nova rotina
O DET é o canal oficial utilizado pela Inspeção do Trabalho para se comunicar com os empregadores. Por meio da plataforma, empresas recebem notificações, acompanham documentos e respondem a procedimentos relacionados à fiscalização.
Na prática, isso significa que um aviso do ministério exige mais do que simplesmente acessar a plataforma. A empresa precisa localizar os registros solicitados, compreender a origem de possíveis divergências e apresentar informações capazes de demonstrar como aquela jornada foi registrada e tratada.
Esse processo também aumenta a importância da integração entre o registro de ponto e os sistemas que utilizam essas informações posteriormente. Folha de pagamento, banco de horas e acompanhamento de jornada dependem de uma base confiável para que eventuais inconsistências não sejam reproduzidas ao longo do processo.
REP-P acompanha digitalização do controle de jornada
A própria regulamentação do registro eletrônico de ponto acompanha essa transformação. Em página atualizada em 31 de julho de 2026, o MTE mantém a classificação dos sistemas em REP-C, REP-A e REP-P e destaca que o REP-P permite o uso de novas tecnologias, incluindo a marcação de ponto por dispositivos móveis.
Na mesma atualização, o ministério disponibilizou novos leiautes para o Arquivo Fonte de Dados (AFD) e o Arquivo Eletrônico de Jornada (AEJ), documentos que fazem parte da estrutura de informações utilizada no controle eletrônico do trabalho.
O uso de um aplicativo, porém, não garante sozinho a conformidade. O próprio MTE estabelece que as marcações precisam refletir a realidade da jornada e esclarece que o programa de tratamento não pode ser utilizado para inserir horas extras que não tenham sido efetivamente registradas pelo trabalhador.
A tendência, portanto, é de uma fiscalização cada vez mais apoiada na qualidade dos dados produzidos pelas empresas. Com registros digitais, folha, banco de horas e jornada conectados, inconsistências podem ser identificadas com mais facilidade, tornando a integridade das informações uma parte cada vez mais importante da gestão trabalhista.