Goiânia se consolida, ano após ano, como um importante centro de formação e produção em dança no Brasil. Três instituições públicas têm protagonizado esse movimento: a Escola do Futuro Basileu França, o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a Universidade Federal de Goiás (UFG). Juntas, elas não apenas qualificam profissionais altamente capacitados, como também alimentam o ecossistema cultural da capital goiana, contribuindo diretamente para o desenvolvimento artístico, educacional e econômico da área.
A Escola do Futuro em Artes Basileu França, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Secult-GO), é historicamente reconhecida por seu ensino técnico em dança, especialmente no ballet clássico. O corpo discente é composto, em sua maioria, por jovens que ingressam ainda na adolescência e passam por um processo rigoroso de formação técnica e artística. Muitos desses estudantes, após concluírem o curso técnico, seguem carreira em companhias de dança, atuam como professores em escolas particulares ou ingressam em universidades para aprofundar sua formação acadêmica.
O prestígio do Basileu França se reflete também em suas companhias-escola, como a Cia Jovem de Dança de Goiás, que tem se apresentado em diversos palcos do país e colaborado com coreógrafos renomados. O espaço também oferece oficinas, festivais e apresentações públicas, contribuindo para o acesso da população à arte da dança. Ainda que não haja dados oficiais atualizados sobre o número anual de formandos, é evidente que o Basileu ocupa uma posição central na formação técnica de bailarinos e professores na região.
Já o Instituto Federal de Goiás (IFG), por meio de seus campi em Goiânia e Aparecida de Goiânia, tem apostado na formação superior e técnica na área das artes cênicas, incluindo a dança. O IFG oferece o curso de Licenciatura em Dança com ênfase em práticas pedagógicas e inclusão sociocultural. Os estudantes têm contato com diversas linguagens corporais e desenvolvem pesquisas sobre educação, arte e movimento. A instituição também realiza concursos para professores substitutos com salários que podem ultrapassar os R$ 6 mil, dependendo da titulação, o que demonstra o reconhecimento e a valorização da formação docente em dança no ambiente público federal.
A Universidade Federal de Goiás (UFG), por sua vez, oferece o curso de Licenciatura em Dança no campus Samambaia, sendo referência acadêmica na região. O curso é voltado para a formação de professores para a educação básica, mas também incentiva a produção artística e a pesquisa. O currículo contempla técnicas clássicas, contemporâneas, populares, além de metodologias de ensino, história da dança e projetos integradores. A universidade mantém ainda projetos de extensão, como cursos gratuitos abertos à comunidade, e grupos artísticos que integram ensino, pesquisa e performance.
O mercado de trabalho para quem se forma nessas instituições é amplo, mas desafiador. De acordo com dados do site Vagas.com, a média salarial de um professor de ballet no Brasil gira em torno de R$ 784, com variações entre R$ 385 e R$ 1.400, valores comuns em escolas particulares. Já em Goiás, segundo o GuiaTrabalho, um professor de dança pode receber entre R$ 971,65 e R$ 5.329,50, dependendo da área de atuação. Os salários são mais atrativos em concursos públicos e instituições de ensino superior.
Apesar das disparidades salariais, os egressos dessas instituições conseguem se inserir em diferentes contextos: escolas de dança, companhias profissionais, projetos sociais, editais de cultura e ensino formal. A multiplicidade de atuações reflete a formação sólida oferecida por Basileu França, IFG e UFG, que, cada uma a seu modo, contribui para a vitalidade do cenário cultural goianiense.
Goiânia, portanto, não é apenas um celeiro de bailarinos talentosos, mas um espaço onde a formação pública em dança se fortalece e se diversifica, aproximando arte e educação de forma efetiva e duradoura.
Por: Priscilla Coelho