outubro 3, 2026

Gestran lança agente de IA que responde, em linguagem natural, perguntas sobre a frota

Paulo Raymundi, CEO da Gestran

Agentes de IA reduzem o tempo entre consulta e decisão na gestão de frotas, mas adoção avançada ainda é de 14% no Brasil

Todo mundo já sabe que uma hora vai usar inteligência artificial. A questão agora, dentro das empresas, é descobrir onde ela realmente pode poupar tempo e ajudar no trabalho do dia a dia. Na gestão de frotas, uma aplicação simples pode fazer diferença: perguntar.

Quais foram os cinco veículos com maior custo? Quanto cada um rodou? Quantas ordens de serviço teve? Qual foi o gasto com peças?

São perguntas simples para quem administra uma frota, mas que nem sempre têm uma resposta rápida. Dependendo de como os dados estão organizados, é preciso procurar relatórios, aplicar filtros e cruzar informações antes de chegar ao resultado.

Nesse processo, a inteligência artificial muda principalmente a forma de acessar e explorar os dados. O gestor pode começar com uma pergunta e aprofundar a análise conforme surgem novas informações. Ao identificar, por exemplo, os veículos com maior gasto de combustível, pode avançar para o custo por quilômetro, comparar períodos, investigar quais unidades estão fora do padrão e, ao final, reunir os resultados em uma planilha.

“Uma empresa registra diariamente abastecimentos, despesas, manutenções, pneus, checklists, documentos, compras e informações sobre os veículos. O ponto é conseguir transformar esse volume de dados em respostas úteis, sem que cada dúvida exija uma nova análise manual”, afirma Paulo Raymundi, CEO da Gestran, empresa brasileira de tecnologia para gestão de frotas.

Esse tipo de interação já começa a chegar aos sistemas utilizados pelas empresas de transporte. A Gi, agente de IA integrada ao Gestran Frota, plataforma de gestão de frotas da empresa, por exemplo, permite que o gestor faça perguntas em linguagem natural, como faria com alguém da equipe no seu dia a dia, sem precisar usar comandos específicos ou procurar a informação em menus e relatórios. A partir da resposta, ele pode continuar a consulta e aprofundar a análise.

“Quando uma informação não depende mais de uma busca demorada, ela passa a fazer parte da rotina com muito mais naturalidade. O ganho está em tirar pequenas barreiras do caminho para que a equipe consiga trabalhar melhor com aquilo que já tem à disposição”, avalia Raymundi.

A informação pode ser apresentada de diferentes formas, de acordo com o que o gestor precisa naquele momento. “Além da resposta em texto, os dados podem ser organizados em gráficos ou exportados para Excel e CSV, o que permite levar aquela análise para outras etapas da gestão”, explica.

Para o executivo, a questão não é criar mais informação, mas tornar mais simples o acesso às informações que a empresa já tem. “A mudança principal não está na coleta de dados; isso o setor já fazia. Está na velocidade entre ter uma pergunta e ter uma resposta confiável.”

A adoção desse tipo de recurso ainda é baixa entre as empresas. Segundo Raphael Aguiar, sócio e diretor da Gestran, apenas 15% das empresas do setor atingem o objetivo de gestão de frota. Controle, custos e segurança estão entre as principais demandas dos clientes, afirmou o executivo durante o evento Frotas Conectadas, realizado em agosto de 2026.

O mesmo acontece com a IA. No Brasil, uma pesquisa da Live University/Inbrasc mostra que 88% das empresas já usam IA generativa, mas apenas 14% estão em estágio avançado no uso de agentes de IA para análises e previsões.

Fora do país, o cenário aponta para outro desafio: conectar as diferentes áreas da operação. Pesquisa da PwC com líderes de operações e supply chain mostra que 83% acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar nesse processo. Mas só 27% dizem ter uma estratégia de IA totalmente integrada às diferentes unidades do negócio.

A qualidade das informações também pesa, pois, para 87% dos entrevistados, ela limita os resultados das iniciativas digitais, e só 37% se sentem confortáveis em delegar processos inteiros a agentes de IA.

“A tecnologia sempre foi muito boa em registrar o que aconteceu. O que muda agora é a possibilidade de colocar esse histórico para trabalhar durante a tomada de decisão. O gestor não precisa esperar o fechamento do mês para descobrir que alguma coisa saiu do padrão. Ele pode investigar a situação enquanto ela está acontecendo e decidir se precisa agir”, diz Paulo Raymundi.

As novas regras da ANTT também aumentaram o volume de informações sobre cada operação de transporte. Desde maio de 2026, o CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) passou a ser obrigatório no transporte rodoviário remunerado de cargas. O registro reúne dados como contratante, transportador e veículo, permitindo acompanhar melhor cada operação.

“Com mais informações registradas sobre as operações, o gestor também precisa conseguir consultar esses dados com facilidade. A Gi ajuda nessa etapa, trazendo as informações solicitadas sem alterar os registros do sistema ou executar alguma ação”, conta o CEO da Gestran.

E o motorista? Embora a Gi tenha o gestor como usuário, as decisões tomadas a partir dessas informações chegam ao pátio, à oficina e à estrada. Uma alteração na programação, a antecipação de uma manutenção ou a retirada de um veículo de circulação, por exemplo, pode mudar a rotina de quem está ao volante.

“Um veículo parado pode exigir uma mudança de escala, uma reorganização da programação ou até uma alteração de rota. Por isso, quanto antes o gestor entende o que está acontecendo, mais alternativas ele tem para reorganizar a operação e reduzir o impacto para quem está na estrada”, afirma.

A ociosidade é um dos pontos que podem ser investigados com esse tipo de consulta. Ao perguntar quais veículos estão parados e há quanto tempo, o gestor consegue entender a capacidade disponível e avaliar os impactos na programação da frota.

Raymundi esclarece que a Gi não executa essas decisões; ela consulta e interpreta as informações disponíveis, mas não altera registros, cria ordens de serviço ou realiza outras operações no sistema. “A IA entra para encurtar esse caminho. Ela não conhece a operação melhor do que quem está nela todos os dias, mas pode ajudar esse profissional a chegar mais rápido ao ponto que precisa avaliar”, conclui.

Sobre a Gestran, acesse: https://www.gestran.com.br/

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