Com superávit de mais de US$ 8 bilhões na balança comercial e operações industriais de alta complexidade, Estado reforça a importância de métodos eficientes de resolução de conflitos
O avanço econômico de Goiás tem colocado a arbitragem e a mediação no centro das estratégias em segurança jurídica e eficiência na resolução de conflitos empresariais. Com uma economia fortemente impulsionada pelo agronegócio, pela indústria e por grandes investimentos em infraestrutura e logística, a região reúne contratos de alto valor e elevada complexidade, cenário no qual métodos extrajudiciais se mostram cada vez mais estratégicos para evitar longas disputas judiciais.
Os números comprovam a pujança do centro-oeste brasileiro: de acordo com o Governo do Estado, Goiás fechou 2025 com superávit acima de US$ 8 bilhões. As exportações goianas totalizaram US$ 13,4 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 5,3 bilhões, evidenciando a força do setor produtivo estadual e a competitividade dos produtos goianos no mercado internacional.
Carla Sahium, vice-presidente da CAMARB Goiás – Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial -, explica que, historicamente, a judicialização sempre foi o caminho mais comum para a resolução de disputas. No entanto, em um cenário de crescimento acelerado, como é o caso de Goiás, recorrer a um Judiciário sobrecarregado, com processos que se arrastam por anos, representa um custo elevado para empresas que precisam de previsibilidade para continuar investindo. “Em Goiás, onde a competitividade é um ativo central e a velocidade dos negócios é determinante, métodos alternativos de resolução de conflitos surgem como instrumentos capazes de preservar contratos, reduzir incertezas e manter relações comerciais ativas mesmo diante de divergências”, aponta.
O agronegócio é o principal motor da economia goiana e concentra operações contratuais robustas, envolvendo financiamento, fornecimento de insumos, tecnologia, logística e comercialização. Outro eixo relevante é o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), um dos maiores polos industriais do Centro-Oeste brasileiro. “Planejado para concentrar empresas industriais, logísticas e de serviços, o distrito abriga cadeias produtivas complexas e contratos de longo prazo, o que também pode abrir brechas para conflitos”, afirma Carla.
Indústria farmacêutica e infraestrutura
Goiás se consolidou também, ao longo dos anos, como um dos maiores polos farmacêuticos do Brasil, com players gigantes responsáveis por uma produção anual estimada entre 7 e 8 bilhões de unidades de medicamentos. “A magnitude dessas operações reforça a necessidade de mecanismos de resolução de disputas compatíveis com a complexidade técnica e econômica do setor”, detalha a vice-presidente da CAMARB Goiás.
A infraestrutura é outro campo sensível na região. Investimentos em rodovias, saneamento, concessões públicas, escoamento da produção agrícola, além da plataforma multimodal de Anápolis e da ferrovia Norte-Sul, colocam Goiás no centro de grandes projetos logísticos. “Historicamente, esse é um dos segmentos que mais geram conflitos contratuais, envolvendo prazos, reequilíbrio econômico-financeiro e responsabilidades técnicas, o que amplia o espaço para a arbitragem e a mediação como alternativas eficazes ao Judiciário”, afirma.
Entretenimento
Além dos setores tradicionais, a indústria do entretenimento também desponta como campo fértil para a arbitragem e a mediação. Goiás é um dos principais polos da música sertaneja no país, com grandes produtoras que concentram a gestão de carreiras, contratos, infraestrutura de shows, marketing e logística dos maiores artistas do país. “O alto volume financeiro envolvido, com cachês milionários e eventos de grande porte, amplia a complexidade contratual e o potencial de disputas, tornando os métodos consensuais e arbitrais especialmente relevantes”, acrescenta a vice-presidente da CAMARB.
A arbitragem e a mediação, conclui ela, apresentam-se como ferramentas essenciais para acompanhar o ritmo de crescimento de Goiás, oferecendo maior previsibilidade, especialização técnica e agilidade na resolução de conflitos. “Em um Estado marcado por expansão econômica e contratos cada vez mais sofisticados, esses mecanismos tendem a ocupar papel central na construção de um ambiente de negócios mais seguro e eficiente”, diz.