setembro 10, 2026

IA deixa de ser assunto de TI e coloca o RH no centro das empresas

Bruno Omeltech, fundador e CEO da Omeltech

Depois da corrida para testar ferramentas de inteligência artificial, as empresas começam a enfrentar uma etapa mais difícil: mudar a forma como as pessoas trabalham. O HR Monitor 2026, da McKinsey, mostra que a adoção da tecnologia pelas áreas de Recursos Humanos ainda está concentrada em projetos piloto e atividades administrativas. Apenas 11% das organizações pesquisadas trabalham com uma visão de longo prazo para planejar sua força de trabalho, justamente quando a IA passa a exigir novas competências e a interferir na organização das funções.

Essa virada apareceu de forma concreta nesta semana em São Paulo. Bruno Omeltech, administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, é fundador e CEO da Omeltech, hub de educação corporativa que desenvolve jornadas de aprendizagem e capacitação para médias e grandes empresas. Em 17 de agosto, ele esteve à frente de um workshop gratuito que reuniu profissionais e líderes de RH para discutir aplicações práticas da inteligência artificial no trabalho. Dois dias depois, participou do CONARH 2026, a convite do iFood Benefícios, levando a discussão para um dos principais encontros de Recursos Humanos da América Latina.

Os dois compromissos fazem parte de um movimento maior. Se a primeira fase da inteligência artificial nas empresas foi marcada pela escolha de ferramentas e pela experimentação, a discussão agora se desloca para quem vai preparar equipes para incorporá-las à rotina, definir aplicações e transformar tecnologia em produtividade.

“Estamos entrando em uma segunda etapa da inteligência artificial dentro das empresas. A ferramenta já está disponível. Agora a pergunta é se as pessoas sabem utilizá-la para tomar decisões melhores, aumentar a produtividade e resolver problemas reais. É aí que Recursos Humanos passa a ocupar uma posição central”, afirma Bruno.

IA muda de fase dentro das empresas

Durante o workshop promovido pela Omeltech, a discussão partiu justamente dessa diferença entre ter acesso à inteligência artificial e saber utilizá-la. Entre profissionais responsáveis por treinamento, desenvolvimento e gestão de pessoas, o debate passou por aplicações na rotina, preparação das lideranças e formas de evitar que a adoção fique limitada a iniciativas individuais, sem conexão com processos ou indicadores do negócio.

A questão também aparece no diagnóstico da McKinsey. A consultoria aponta que sistemas fragmentados e lacunas de competências continuam dificultando a passagem de projetos experimentais para uma adoção mais ampla da IA em Recursos Humanos.

“Não adianta entregar uma ferramenta e esperar que o resultado apareça sozinho. A empresa precisa preparar as pessoas para reconhecer onde a IA pode resolver um problema, questionar o que ela produz e transformar aquela resposta em uma decisão ou ação concreta”, ressalta o executivo.

CONARH leva discussão para o centro do RH

O avanço do tema também ficou evidente no CONARH 2026, realizado pela ABRH Brasil entre 18 e 20 de agosto, no São Paulo Expo. Com mais de 120 palestrantes e mais de 300 expositores, o congresso reservou um espaço específico, o RH Tech, para discussões sobre inteligência artificial, automação, análise de dados, ética e produtividade.

Foi nesse contexto que Bruno participou da programação do iFood Benefícios em 19 de agosto. Para o fundador da Omeltech, a presença do assunto em diferentes espaços do evento revela uma mudança importante: a IA deixa de aparecer apenas como uma tecnologia que pode automatizar atividades do RH e passa a ser discutida como algo capaz de alterar competências, lideranças e a própria maneira de trabalhar.

“O que chama atenção é que a conversa já não está apenas em qual ferramenta usar. Ela avançou para como preparar pessoas, como formar gestores e como fazer a tecnologia entrar na rotina com propósito. Quando o debate chega a esse ponto, o RH deixa de ser espectador da transformação”, afirma.

Novas competências entram na conta

A dimensão dessa mudança aparece também no Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC. O estudo analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes e constatou que as competências exigidas nas ocupações mais expostas à inteligência artificial estão mudando mais de duas vezes mais rápido do que naquelas menos afetadas pela tecnologia. Nas empresas mais expostas à IA, o crescimento da produtividade foi 40% superior.

“Capacitar para IA não significa apenas ensinar prompts. É desenvolver repertório para que as pessoas saibam quando usar a tecnologia, como avaliar uma resposta e o que fazer com aquela informação. Pensamento crítico, liderança e capacidade de decisão passam a fazer parte dessa formação”, aponta Bruno.

“A inteligência artificial pode ampliar muito a capacidade de trabalho, mas produtividade não aparece simplesmente porque uma empresa contratou uma tecnologia. A transformação acontece quando as pessoas mudam a forma como trabalham. E preparar a organização para essa mudança passa a ser uma das responsabilidades mais importantes do RH”, conclui.

Sobre Bruno Omeltech

Administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, é fundador e CEO da Omeltech, hub de educação corporativa criado em 2011 e especializado em jornadas de aprendizagem e programas de liderança para médias e grandes empresas. Há mais de 12 anos na área, já participou de projetos que impactaram mais de 300 mil pessoas no Brasil, Estados Unidos, América Latina e Europa, entre elas colaboradores de OLX, HCor, Algar, Mattel, Novartis e BNP Paribas Cardif.

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