setembro 28, 2026

Incerteza eleitoral testa a liderança nas empresas

Alexandre Slivnik, diretor executivo do IBEX

Cinco decisões ajudam líderes a avaliar riscos, orientar equipes e manter a operação em andamento

O Indicador de Incerteza da Economia da Fundação Getulio Vargas subiu 2,3 pontos em agosto de 2026, para 111,7 pontos. A instituição relaciona parte da alta ao debate sobre as propostas econômicas dos candidatos e cita também dúvidas sobre juros e inflação. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, empresas de todo o país precisam distinguir os riscos que já afetam seus negócios daqueles que ainda dependem do resultado das urnas.

Para Alexandre Slivnik, diretor executivo do IBEX, instituto voltado ao desenvolvimento de lideranças, gestão de pessoas e experiência do cliente, o desafio é decidir o que se pode esperar sem interromper a rotina da empresa. Vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), ele recomenda que os gestores expliquem à equipe os critérios usados em cada escolha.

“Esperar o resultado das eleições 2026 pode fazer sentido para um investimento específico. Quando a empresa passa a adiar tudo, a equipe perde a direção e os problemas da operação continuam avançando”, afirma o executivo.

A cautela do empresariado aparece em outro indicador da FGV. O Índice de Confiança Empresarial caiu pelo segundo mês consecutivo em agosto de 2026, para 91,1 pontos. Os pesquisadores citam a percepção de demanda mais fraca, o acúmulo de estoques e as incertezas ligadas às tarifas norte-americanas e às eleições nacionais entre os fatores do recuo.

O que decidir antes de conhecer o resultado

Verifique o que já afeta a empresa. Uma proposta de campanha ainda não é uma mudança nas regras do negócio. Antes de rever preços, contratações ou projetos, o gestor deve examinar vendas, custos, demanda e caixa. Esses dados ajudam a separar um problema presente de uma possibilidade que ainda precisa ser acompanhada.

Escolha o que pode esperar. Investimentos de longo prazo podem ter uma data para nova análise. Reposição de produtos, entregas e atendimento exigem decisões no presente. Separar essas escolhas evita que a espera pela votação suspenda toda a operação.

Explique o plano à equipe. Os profissionais precisam saber quais metas continuam valendo, o que está sob análise e quando haverá uma definição. “As pessoas não se engajam quando não sabem para onde a empresa está indo. O líder precisa traduzir a estratégia em ações do dia a dia e conectar os objetivos coletivos às metas individuais”, explica Slivnik.

Impeça que divergências prejudiquem o trabalho. Opiniões políticas não devem interferir na distribuição de tarefas, nas avaliações ou no atendimento aos clientes. Segundo o vice-presidente da ABTD, cabe aos gestores estabelecer limites de respeito e agir quando uma discussão comprometer a rotina da equipe.

Defina quando revisar as decisões. A empresa pode acompanhar as notícias sem mudar de rumo a cada declaração de campanha. Reuniões breves, em datas definidas, permitem verificar se vendas, custos ou demanda justificam algum ajuste. “Ter um momento para rever o plano dá segurança à equipe. Sem esse critério, qualquer notícia pode parecer motivo para mudar tudo”, afirma o diretor executivo do IBEX.

Para Slivnik, a medida da liderança nesse período estará nas decisões que a empresa consegue explicar e executar antes de conhecer o resultado das urnas. Se as prioridades estiverem claras, a equipe terá condições de atender os clientes e identificar problemas reais sem esperar que a incerteza desapareça.

Sobre Alexandre Slivnik

Autor de diversos livros, entre eles o best-seller O Poder da Atitude, Alexandre Slivnik é diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando (EUA), vice-presidente da ABTD e professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA/USP. Palestrante com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento, fez especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education). Mais informações: site e Instagram.

Fontes de pesquisa: Fundação Getulio Vargas, Indicador de Incerteza da Economia de agosto de 2026; FGV, Índice de Confiança Empresarial de agosto de 2026; Tribunal Superior Eleitoral, calendário das eleições de 2026.

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