O Instagram anunciou que vai limitar o alcance de perfis cuja pessoa ou persona é gerada por inteligência artificial e que não declaram isso no perfil. O selo “AI creator” passa a se chamar “AI-generated profile”; contas identificadas sem o rótulo deixam de ser recomendadas no Reels e no Explore para quem não as segue.
A regra não atinge criadores humanos que usam IA só na edição, na arte ou na legenda de maneira pontual. O alvo é o perfil que parece pessoa real e não avisa que a figura é sintética.
Para Dieinifer Demarchi, diretora de arte e sócia da KAKOI Comunicação, o anúncio não é um detalhe de algoritmo, mas um sinal de que a plataforma passou a cobrar transparência e critério técnico de quem opera marca, influenciador e conteúdo.
“O Instagram não está proibindo IA. Está punindo a falta de clareza. Empresa que trata comunicação digital como post do dia, sem método, sem identidade visual definida e sem política de uso de IA, vai descobrir o prejuízo no alcance, na credibilidade e no bolso”, afirma.
Marcas usam cada vez mais avatar, influenciador virtual, porta-voz sintético e volume alto de conteúdo gerado. Sem estratégia e uso correto de IA, o risco é triplo: queda de distribuição, desconfiança do público e associação da marca a conteúdo que parece falso.
Cinco passos recomendados pela especialista
- Auditar perfis próprios, de unidades, franquias e influenciadores contratados.
- Definir política interna de IA: o que a marca gera, o que só apoia, o que nunca substitui.
- Rotular com precisão quando a figura do perfil for gerada ou substancialmente criada por IA.
- Separar estética de autenticidade.
- Tratar conteúdo com posicionamento, direção de arte, calendário e mensuração.
“O mercado ainda confunde velocidade com estratégia. IA acelera produção. Não substitui direção criativa, critério editorial nem responsabilidade com o público”, finaliza Demarchi.