novembro 8, 2026

LEME Inteligência Forense transforma busca por bens de devedores em tecnologia e prevê crescimento acima de 30% em 2026

LEME Inteligência Forense transforma busca por bens de devedores em tecnologia e prevê crescimento a

Criada por um empreendedor paranaense para facilitar a recuperação de dívidas, tecnologia já localizou mais de R$ 400 bilhões em ativos

Quando uma pessoa ou empresa deixa de pagar uma dívida, descobrir se ela possui patrimônio que possa responder pelo débito pode se transformar em uma verdadeira investigação.

Há menos de uma década, esse trabalho podia levar mais de 90 dias, entre consultas a cartórios, documentos e diferentes bases de dados, além de exigir equipes dedicadas e, em muitos casos, deslocamentos pelo país. Hoje, parte dessa busca pode ser feita digitalmente em poucas horas.

Essa evolução, porém, não aconteceu de uma hora para outra.

Entre os pioneiros dessa transformação está o paranaense Valdo Silveira, contador de formação, que, em 2017, percebeu uma demanda crescente de grandes empresas por documentos usados na recuperação de crédito. “Na época, atuava com consultoria na área e o trabalho dependia fortemente de buscas manuais. Nossa equipe precisava recorrer a diferentes fontes, reunir documentos e cruzar as informações. Setenta por cento do nosso tempo era dedicado à coleta de dados e só os outros 30% ficavam para a análise e a elaboração do relatório”, conta.

Valdo Silveira, CEO da LEME Inteligência Forense

Em alguns casos, encontrar uma única informação podia virar uma viagem. “Já chegamos a ter um caso em que foi preciso mandar uma pessoa para Manaus buscar uma matrícula. O profissional teve que pegar um barquinho para chegar ao cartório. Esse era o nível de esforço necessário para encontrar uma informação”, lembra.

Foi dessa rotina que começou a nascer a tecnologia criada pela LEME Inteligência Forense. Ao longo dos anos, a empresa mapeou etapas daquele trabalho, desenvolveu uma tecnologia própria e conectou novas bases de dados.

“No fim de 2017, surgiu a primeira versão de nossa tecnologia. A plataforma inicialmente concentrava principalmente buscas relacionadas a imóveis e foi incorporando novas fontes e funcionalidades”, explica Valdo.

A transformação mais importante veio quando a empresa percebeu que o mesmo processo era necessário não apenas para instituições financeiras, mas também para escritórios de advocacia, fundos e empresas que compravam carteiras de créditos inadimplentes.

“A gente percebeu que não precisava vender uma investigação por vez. Podíamos construir uma ferramenta que o cliente usasse continuamente. A partir dali, começamos a pensar em escala”, diz o executivo.

A empresa ganhou maior volume a partir de 2021 e, desde então, vem crescendo entre 30% e 40% ao ano. Hoje são mais de mil clientes, reúne mais de 130 colaboradores e, segundo seu CEO, Valdo Silveira, tem mais de 5 mil pessoas conectadas diariamente à plataforma SONAR. O sistema reúne cerca de 13 módulos e conecta dados públicos, privados e proprietários para localizar bens, identificar relações entre pessoas e empresas e organizar informações que ajudam na avaliação de risco e na recuperação de créditos.

“A gente não queria simplesmente automatizar uma tarefa, queria mudar a lógica do processo. Antes, o profissional precisava ser muito bom em procurar informação. Hoje, ele pode receber aquela informação organizada e usar sua experiência para interpretar o que está acontecendo.”

Atualmente, a plataforma SONAR da LEME reúne mais de 200 fontes e já localizou mais de R$ 400 bilhões em ativos.

A tecnologia encontra. O especialista interpreta

Com o avanço da plataforma, a LEME percebeu outro desafio: não bastava dar acesso às informações. Parte dos clientes também precisava de apoio para interpretá-las e aplicá-las às próprias decisões.

A LEME passou, então, a criar estruturas de atendimento e treinamento, onde os clientes podem receber acompanhamento para entender como aplicar as ferramentas à própria operação. “Percebemos que, tão importante quanto entregar informação, era ajudar o cliente a interpretar os dados e transformá-los em decisões”, afirma Valdo Silveira.

Assim, além da tecnologia, os clientes têm acesso à metodologia desenvolvida pela LEME a partir da experiência acumulada em investigações, que consiste em entender profundamente como a pessoa ou empresa atua, de onde vêm suas receitas, para quem vende, quem são seus fornecedores e com quais pessoas e negócios mantém relações. Segundo a empresa, é a análise dessas conexões que ajuda a identificar onde podem estar os recursos e quais caminhos existem para recuperar uma dívida.

“É isso que buscamos ensinar no Customer Success e na LEME Academy. A tecnologia entrega a informação, mas o profissional precisa saber interpretar os dados e identificar o que realmente importa para aquela investigação”, diz o CEO da LEME.

Da cobrança para antes da concessão

A recuperação de crédito permanece como uma das principais atividades da LEME, mas a companhia leva a mesma lógica de análise para antes de o dinheiro ser emprestado.

A ideia é usar informações semelhantes às empregadas para localizar patrimônio depois de uma inadimplência para ajudar empresas e instituições financeiras a conhecer melhor quem está do outro lado antes de assumir o risco.

“Temos avançado sobre concessão de crédito e compliance. São áreas diferentes, mas que partem de uma mesma necessidade: entender melhor quem está do outro lado de uma operação antes de tomar uma decisão”, afirma.

Essa frente ganha importância principalmente em setores fortemente dependentes de financiamento. No agronegócio, por exemplo, as solicitações de recuperação judicial chegaram a 1.990 em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior e maior número desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2021.

Para Silveira, analisar o risco de um produtor rural, por exemplo, exige ir além de verificar se seu CPF possui restrições.

“A pessoa pode ter um CPF sem nenhuma restrição, mas isso não me diz como aquela operação funciona. Eu preciso saber o que ele planta, quantas safras produz, qual é a produtividade, como financia a atividade, quais são as garantias”, explica.

Futuro

Depois de transformar a forma como informações são encontradas e cruzadas, o próximo desafio, para Silveira, está em ampliar o uso desse conhecimento, seja para recuperar créditos, seja para antecipar riscos.

“Ainda existe muito espaço para crescer no Brasil. Crédito está presente em praticamente toda relação econômica e, quanto maior a necessidade de conhecer quem está do outro lado e avaliar riscos, maior também é a demanda por informação”, afirma Silveira.

Espaço para avançar não falta: o país encerrou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial ativa, alta de 6,2% em relação ao fim de 2025, segundo o Monitor RGF-BizDoc.

A LEME mantém também o Farol de Integridade, plataforma voltada à gestão de compliance que reúne, em um único ambiente, treinamentos, gestão de riscos e canal de denúncias. A proposta é ampliar o uso da tecnologia para além da investigação, acompanhando riscos e organizando processos de integridade dentro das empresas.

Mais informações: https://lemeforense.com.br

Referências:

https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/agronegocios/recuperacao-judicial-agro-fecha-2025-com-quase-2-mil-solicitacoes-do-recurso-e-registra-maior-acumulado-da-serie-historica-revela-serasa-experian

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors