No terceiro dia da missão, advogados goianos reforçam laços internacionais em encontros com o cônsul brasileiro e juíza da mais alta corte do estado.
O terceiro dia da Missão Boston, em 29 de outubro, marcou uma sequência de encontros de peso para a comitiva da OAB Aparecida de Goiânia. Pela manhã, os representantes foram recebidos no Consulado-Geral do Brasil em Boston pelo Embaixador Santiago Mourão. A recepção institucional teve como foco o fortalecimento de laços diplomáticos e educacionais entre o Brasil e os Estados Unidos, com destaque para a presença de profissionais do Direito e da área de tecnologia.
Além dos advogados que integram a missão, participaram da visita a engenheira Rosangela Nunes Carvalho e a equipe de robótica “Robótica de Sucesso“, liderada por André Dengo. A presença do grupo técnico-educacional reforça o caráter multidisciplinar da comitiva, que busca fomentar o intercâmbio de experiências em áreas como inovação, justiça e educação.
Durante o encontro, o Embaixador Santiago Mourão destacou a importância de parcerias entre instituições brasileiras e americanas, mencionando iniciativas já em curso que promovem a cooperação acadêmica e a capacitação profissional. Segundo ele, “a formação de lideranças brasileiras com experiências internacionais é essencial para o fortalecimento institucional do país”.

No período da tarde, a comitiva teve a oportunidade de visitar um dos espaços mais simbólicos do sistema judiciário norte-americano: o John Adams Courthouse, sede da Suprema Corte de Massachusetts. O prédio histórico, que homenageia um dos pais fundadores dos Estados Unidos e segundo presidente do país, é conhecido não apenas pela sua arquitetura imponente, mas também pelos julgamentos emblemáticos realizados ao longo dos séculos.
Durante a visita guiada, os participantes puderam conhecer detalhes sobre o sistema de apelações local, entender como funcionam os diferentes níveis do Judiciário em Massachusetts e explorar casos históricos envolvendo escravidão, direitos civis e julgamentos de homicídio. A parte histórica foi especialmente impactante para os advogados brasileiros, que destacaram a relevância da memória institucional para a prática do Direito.
O ponto alto da tarde foi o encontro com a juíza Dalila Argaez Wendlandt, que ocupa uma das cadeiras da Suprema Corte do estado. Primeira mulher latino-americana a integrar a corte, Wendlandt compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, desde sua formação em engenharia até a escolha pelo Direito, inspirando os presentes com sua história de superação e excelência acadêmica.

Com um discurso direto e acolhedor, a juíza respondeu a perguntas da comitiva, abordando temas como igualdade de gênero no Judiciário, acesso à Justiça e os desafios contemporâneos da magistratura.
A troca de experiências no tribunal reforçou o propósito da Missão Boston: promover o diálogo institucional e oferecer uma imersão no funcionamento de sistemas jurídicos internacionais. Segundo membros da OAB Aparecida, a visita foi um dos pontos altos da viagem até agora. “É uma inspiração ver como a Justiça pode ser acessível, humana e, ao mesmo tempo, tecnicamente robusta”, resumiu um dos participantes.
Ao final do dia, ficou claro que a agenda da Missão vai muito além do turismo institucional. Trata-se de um investimento na formação de lideranças comprometidas com o futuro do Direito e da educação brasileira, por meio de uma lente global.
Intercâmbio jurídico e educacional: por que essas missões internacionais fazem a diferença
A visita da OAB Aparecida de Goiânia à Suprema Corte de Massachusetts não foi apenas um ato simbólico. Representa uma tendência crescente de internacionalização das instituições jurídicas brasileiras, que buscam aprender com outros modelos de Justiça para repensar práticas locais. E, nesse sentido, missões como a de Boston têm um valor estratégico.

A troca de experiências com magistrados, advogados e educadores estrangeiros ajuda a ampliar a visão dos profissionais brasileiros sobre temas como mediação de conflitos, jurisprudência, tecnologia no Judiciário e acesso à Justiça. Mais do que observar, é um momento para questionar, comparar e adaptar ideias ao contexto brasileiro.
Esse tipo de intercâmbio também tem papel fundamental na formação de jovens lideranças. A presença da equipe de robótica e de uma engenheira ao lado da comitiva jurídica mostra como o futuro das profissões será cada vez mais interconectado. Direito, tecnologia, engenharia e educação não caminham mais separados – e as visitas internacionais deixam isso evidente.
Outro ponto relevante é a valorização da diversidade. Ao conhecer a trajetória da juíza Dalila Argaez Wendlandt, os visitantes brasileiros foram expostos a uma narrativa de inclusão no topo do Judiciário americano. Isso reforça debates urgentes sobre representatividade de gênero, raça e etnia também no Brasil.
Do ponto de vista institucional, visitas a órgãos como o Consulado-Geral do Brasil nos EUA aproximam a sociedade civil das estruturas diplomáticas e demonstram como o Itamaraty pode ser um elo importante na formação e capacitação de lideranças locais. A fala do Embaixador Santiago Mourão sobre formação de líderes com visão global aponta para um caminho de longo prazo.

Além disso, missões como a de Boston estimulam o senso de pertencimento a uma comunidade jurídica internacional. Os participantes voltam ao Brasil não apenas com fotos e lembranças, mas com uma bagagem de ideias e referências que podem transformar práticas em seus escritórios, universidades e instituições públicas.
É importante destacar que essas experiências também oferecem espaço para networking qualificado. Estar lado a lado com juízes, diplomatas e pesquisadores em ambientes institucionais fortalece conexões que, mais tarde, podem se desdobrar em projetos, convênios ou cooperações acadêmicas.
Por fim, eventos como esse reafirmam a importância de investir na qualificação continuada de profissionais do Direito, especialmente em tempos de transformação digital e desafios democráticos. Olhar para fora ajuda a enxergar melhor o que precisa mudar aqui dentro.
A Missão Boston não é só uma viagem: é uma aposta no futuro do Brasil, feita por quem entende que o conhecimento precisa cruzar fronteiras para gerar impacto real.