A sucessão deixou de ser uma discussão sobre herança para se tornar uma decisão estratégica capaz de preservar valor, fortalecer a governança e garantir a continuidade dos negócios
O maior desafio de muitas empresas familiares não está na concorrência, na economia ou nas mudanças do mercado. Ele costuma surgir dentro da própria organização, quando o crescimento do negócio não é acompanhado pela preparação de novas lideranças.
A Global Family Business Survey 2025, da PwC, mostra que governança, desenvolvimento de líderes e planejamento sucessório estão entre as principais prioridades das empresas familiares de maior desempenho no mundo. Ainda assim, a continuidade permanece como um desafio: segundo o Family Firm Institute (FFI), apenas cerca de 30% das empresas familiares chegam à segunda geração e aproximadamente 12% permanecem sob o comando da terceira.
Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, a dificuldade não está apenas em definir quem ocupará a presidência no futuro, mas em construir uma empresa capaz de continuar crescendo independentemente de quem esteja no comando. “Existe uma diferença importante entre construir uma empresa e construir uma instituição. A primeira pode depender do fundador para continuar existindo. A segunda transforma conhecimento em processos, desenvolve lideranças e cria uma cultura capaz de sustentar o negócio mesmo quando as pessoas mudam”, revela.
A trajetória do executivo ajuda a ilustrar esse processo. Com origem em uma história empresarial iniciada há mais de cinco décadas, Gustavo Braz passou por diferentes áreas da operação antes de assumir a liderança da companhia. “Todo fundador resolve problemas que pertencem ao seu tempo. O sucessor encontrará desafios completamente diferentes. Por isso, preparar a próxima geração não significa ensinar respostas prontas, mas desenvolver capacidade de análise, adaptação e tomada de decisão”, defende.
Na avaliação de Gustavo, um dos erros mais comuns das empresas familiares é permitir que conhecimento, relacionamentos estratégicos e decisões relevantes permaneçam concentrados em uma única pessoa. “Quando toda decisão passa pelo fundador, a empresa cria uma dependência que dificilmente aparece nos indicadores financeiros. O verdadeiro patrimônio de uma organização está na capacidade de continuar operando com excelência, mesmo quando seus principais líderes deixam de participar da rotina.”
Esse é o momento em que a profissionalização da gestão deixa de ser uma escolha e passa a representar uma necessidade estratégica. Estruturas de governança, indicadores de desempenho, definição clara de responsabilidades e processos decisórios bem estabelecidos permitem que a empresa cresça de forma mais consistente e reduza riscos inerentes à centralização.
“Todo empresário quer construir uma empresa sólida, mas isso exige criar critérios que resistam às pessoas. Quando as decisões dependem apenas de quem está na presidência, o crescimento fica mais vulnerável. Governança existe para tornar a empresa maior do que qualquer indivíduo”, avalia.
Mais do que uma transição de comando, o especialista defende que a sucessão deve ser encarada como um processo permanente de formação de lideranças. “O maior legado de um fundador não é deixar uma empresa pronta. É deixar uma empresa preparada para continuar evoluindo sem depender da sua presença. Quando isso acontece, a sucessão deixa de ser um risco e passa a se tornar uma das maiores vantagens competitivas do negócio.”
Sobre Gustavo Braz
Gustavo Braz é empresário e CEO do Grupo PMD. Atua no desenvolvimento de estratégias de crescimento para empresas familiares, com foco em governança, formação de lideranças, sucessão empresarial e expansão sustentável.
Sobre o Grupo PMD
O Grupo PMD reúne empresas que atuam de forma integrada nos setores da indústria e da construção civil, com um modelo de gestão baseado em governança, especialização operacional e desenvolvimento de lideranças.